Presidentes da Unasul acompanham Cristina em velório

Os presidentes do Uruguai, Chile, Bolívia e Equador estão na Casa Rosada, sede do Executivo da Argentina, onde está sendo velado o corpo do ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu na manhã de ontem na cidade de El Calafate, no sul do país, vítima de um ataque cardíaco. Ao lado da presidente Cristina Kirchner, José Mujica, Sebastián Piñera, Evo Morales, e Rafael Correa assistem ao desfile de cidadãos argentinos que passam pelo Salão dos Patriotas latino-americanos para despedir-se de Kirchner.

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

28 de outubro de 2010 | 15h31

O ex-craque de futebol e ex-técnico da seleção argentina Diego Armando Maradona foi recebido com carinho pela presidente. Ambos se demoraram em um abraço emotivo e um rápido diálogo. Milhares de pessoas ocupam as avenidas de Maio e Nove de Julho a caminho da Praça de Maio, em frente à Casa Rosada. O líder da Central Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, convocou os trabalhadores para uma manifestação em homenagem ao ex-presidente e apoio a Cristina Kirchner.

Líderes opositores também marcam presença. Contudo, o vice-presidente da República, Julio Cobos, avisou que não comparecerá ao velório. Considerado pelo governo como líder da oposição, Cobos disse que transmitiu suas condolências a Cristina por intermédio do chefe de Gabinete da Presidência, Aníbal Fernández. "O vice-presidente entende que esta é a forma de render respeito ao ex-presidente", argumentou o porta-voz de Cobos, Julio Paz, durante entrevista a uma rádio de Buenos Aires.

Cobos recebeu vários insultos de simpatizantes do casal Kirchner que passaram pela Casa Rosada, nesta manhã, e que se valiam de cantorias, cartazes e pichações para xingar o vice-presidente de traidor, em clara referência ao afastamento dele dos Kirchner. Apenas três meses após a posse de Cristina e Cobos, que assumiram o governo em dezembro de 2007, ambos começaram a manifestar suas diferenças públicas, em especial sobre o conflito do governo com o setor agropecuário.

Em julho de 2008, a relação se rompeu definitivamente com o voto de minerva de Cobos contra o projeto oficial de aumentar os impostos de exportações agrícolas. Desde então, Cobos vem sendo duramente atacado pelo governo kirchnerista, principalmente porque se apresenta como pré-candidato à presidência pelo opositor partido União Cívica Radical (UCR). Ontem, logo após a notícia da morte de Kirchner, Cobos disse que ele foi "um grande presidente".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.