Dan Kitwood e Lam Yik Fei / The New York Times
Dan Kitwood e Lam Yik Fei / The New York Times

Presidentes de China e Taiwan se reunirão pela primeira vez desde 1949

Pequim considera reunião de líderes 'um marco' na relação com Taipé; funcionário de alto escalão do governo chinês diz que medida ajudará a melhorar relações entre as partes

O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2015 | 09h58

PEQUIM - A primeira reunião entre os presidentes de China e Taiwan, que acontecerá no próximo sábado em Cingapura, é "um marco" que ajudará a melhorar as relações entre as partes, disse nesta quarta-feira, 4, um funcionário chinês do alto escalão.

A reunião entre os presidentes da China, Xi Jinping, e Taiwan, Ma Ying-jeou, foi anunciada na madrugada de hoje pelo escritório do líder taiwanês último e confirmada pouco depois por Pequim.

"A reunião marcará o início de uma comunicação direta" entre os líderes, disse Zhang Zhijun, responsável do Escritório de Assuntos de Taiwan no Conselho de Estado (Executivo) e no Comitê Central do Partido Comunista.

Zhang, citado pela agência oficial de notícias da China, "Xinhua", considerou que a reunião acontecerá "em um momento importante para as relações" entre as partes, que alcançará "um novo nível" com "mais espaço para o desenvolvimento".

O funcionário chinês acrescentou que a reunião em Cingapura "promoverá a comunicação e a confiança entre ambas as partes, ajudará a resolver conflitos e diferenças e consolidará uma base política comum".

O responsável chinês para as relações com Taiwan assinalou que está convencido que o encontro entre Xi e Ma terá "amplo apoio" nos dois territórios e na comunidade internacional.

O encontro entre Ma e Xi será o primeiro entre presidentes dos dois países desde o triunfo da revolução comunista de Mao Tse Tung em 1949 sobre o então líder Chiang Kai-shek, que fugiu para Taiwan para estabelecer um governo independente da China.

Ma e Xi conversarão sobre o desenvolvimento pacífico das relações entre as duas partes, disse Zhang, que acrescentou que foram estabelecidas "regras pragmáticas que estão de acordo com o princípio de uma China, enquanto não forem resolvidas as diferenças políticas" bilaterais.

Em Taiwan, o anúncio da reunião gerou as primeiras queixas da oposição, que é a grande favorita para ganhar as eleições presidenciais de 16 de janeiro.

O porta-voz do Partido Democrata Progressista (independentista), Cheng Yun-Peng, disse que o momento escolhido para a reunião do presidente taiwanês com o líder máximo da China é questionável, já que se espera uma mudança na liderança de Taiwan após o pleito de janeiro de 2016. / EFE e REUTERS

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