Presidentes dos Brics mudarão tom de discurso

Líderes ressaltarão a combinação entre crescimento de suas economias e a redução das desigualdades na cúpula de Fortaleza

LISANDRA PARAGUASSU, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2014 | 02h03

Diante do desempenho econômico de Brasil e Rússia, considerado fraco por analistas e investidores internacionais, os presidentes dos cinco países que formam os Brics - bloco composto ainda por Índia, China e África do Sul - tentam mudar o tom de seus discursos.

O objetivo dos governantes do bloco é ressaltar a alternativa representada pela combinação entre crescimento e redução da desigualdade desses países, em vez da importância dos emergentes na recuperação da economia global.

Essa será a principal mensagem da declaração da cúpula dos Brics de Fortaleza, encontro dos presidentes do bloco que começa na terça-feira na capital do Ceará.

Na largada para a sua campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff terá a oportunidade de defender, com apoio de outras quatro grandes economias do mundo, a ideia de que aquilo que está sendo feito no Brasil é o melhor, mesmo que não haja um crescimento expressivo no País.

Como anfitrião da cúpula, o Brasil tem o poder de influenciar o tema central do encontro e da declaração final emitida pelos Brics. Mesmo que os assuntos centrais do encontro de Fortaleza sejam a finalização do banco de desenvolvimento do grupo e a criação do Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês), o tema proposto pelo governo brasileiro tem ligação direta com uma das teclas mais batidas no mandato de Dilma Rousseff: "crescimento inclusivo - soluções sustentáveis".

Alternativa. Diplomatas ouvidos pelo Estado afirmaram que a intenção dos governantes é demonstrar que há modelos de desenvolvimento alternativos possíveis e os Brics não são apenas um acrônimo ou um agrupamento de economias emergentes em rápido crescimento que, com a desaceleração, não têm mais nada em comum. Seriam uma alternativa aos países que conseguiram crescer diminuindo os índices de desigualdade e a pobreza - mesmo que esses números ainda sejam assustadoramente altos.

A ideia de que o Brasil, mesmo não tendo um crescimento tão vigoroso, está incluindo a população mais pobre é presença constante nos discursos do governo.

Às vésperas da Rio+20, encontro sobre desenvolvimento sustentável realizado em 2012 no Rio de Janeiro, Dilma lançou o discurso de que o Brasil poderia ser "um exemplo para o mundo" por ter um desenvolvimento sustentável formado por "crescer, incluir e proteger".

Fazer melhor. A plenária dos presidentes, na terça-feira, deverá ser centrada na ideia de que os cinco Brics são um exemplo de como desenvolver políticas para "fazer melhor para mais gente".

A intenção é mostrar que os países têm alternativas e políticas públicas diversas com resultados importantes e, mesmo não crescendo tanto quanto há alguns anos, ainda têm economias mais vigorosas do que os países desenvolvidos.

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram uma projeção que, quando se considera o Produto Interno Bruto pela Paridade do Poder de Compra, a renda nos países emergentes - incluindo aí os Brics - teriam ultrapassado a renda dos países ricos durante algum momento de 2013.

Dos cinco Brics, o Brasil é o mais com menor projeção de crescimento para 2014 e ainda tem um índice de Gini - usado para medir a desigualdade social - que perde apenas para a África do Sul. No entanto, Dilma tem outro trunfo: o Brasil é o país que teve a maior redução de desigualdade e pobreza e possui os programas sociais mais amplos entre todos os membros do grupo. Em meio a uma apertada campanha política, é uma oportunidade de vender, no seu papel de chefe de Estado, a ideia de que o seu governo tem o que mostrar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.