Preso de Guantánamo cospe e morde a caminho do tribunal

Mordendo ecuspindo nos guardas, o afegão Mohammed Kamin foi levado naquarta-feira ao tribunal de crimes de guerra de Guantánamo,onde será julgado por supostamente ter plantado explosivos elançado mísseis contra uma área do Afeganistão ocupada pelosEstados Unidos, em 2003. Como Kamin se recusasse a deixar sua cela, o juiz ThomasCumbie, coronel da Força Aérea, determinou que ele fosse levadoà força. Por ter tentado morder e cuspir em um dos guardas, elefoi acorrentado à mesa da defesa. O réu, acusado de ligação com a Al Qaeda, tinha um inchaçoem torno de um dos olhos. Seu advogado afirmou que havia tambémarranhões no rosto e na nuca, cuja origem ele não soubeesclarecer. Pauline Storum, porta-voz da prisão de Guantánamo, disseque os guardas usaram a mínima força possível para retirá-lo dacela, depois de repetidos avisos para que saísse. "Nem odetento nem os guardas ficaram feridos no processo", afirmou. Por meio de um intérprete, Kamin disse que as acusações sãomentiras e falsificações. Ele negou relação com a Al Qaeda,disse que não gostaria de ser representado juridicamente por ummilitar norte-americano, afirmou que a corte não temlegitimidade e que ele não pretende comparecer às próximasaudiências. "Meu juiz é o Deus que criou o céu e a terra. Ele será meuadvogado e vai me representar. Esperarei a decisão dele. Issobasta", afirmou Kamin. Pelas regras dos tribunais militares dos EUA, o réu deveassistir ao indiciamento, mas não precisa participar dasaudiências posteriores. O promotor-chefe do processo, coronel Lawrence Morris,minimizou o fato de Kamin ter como advogado um tenente daMarinha norte-americana, pois segundo ele o importante é quecabe à promotoria provar a culpa. "O acusado não tem de fazer nada, e não é necessária umadefesa negligente ou inadequada para simplesmente dispararcontra as acusações do governo e insistir que [a promotoria]não arcou com o ônus da prova", disse Morris por telefone deWashington. Este é o primeiro tribunal de crimes de guerra dos EUAdesde o final da Segunda Guerra Mundial. As audiências préviasse arrastam desde 2004, frequentemente suspensas por recursosjudiciais. Há em Guantánamo cerca de 270 presos, dos quaisapenas 13 já receberam acusação formal. Os EUA pretendem julgaraté 80. Desde a inauguração da polêmica prisão para suspeitos deterrorismo, em 2002, só um processo foi concluído -- e mesmoassim num acordo judicial em que o australiano David Hicksadmitiu ter treinado com a Al Qaeda no Afeganistão e pôdeconcluir em seu país a pena de nove meses, o que ocorreu emdezembro.

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