Preso há mais de um ano, estudante faz greve de fome na Venezuela

Juíza negou liberdade condicional para Christian Holdack, que sofre de trastorno de ansiedade e depressão

O Estado de S. Paulo

17 Março 2015 | 09h22

CARACAS - Único estudante preso desde 12 de fevereiro de 2014, o estudante Christian Holdack está em greve de fome desde sexta-feira, 13, em Polichacao, sede da polícia venezuelana em Chacao, onde está detido em Caracas. Holdack, 34 anos, foi preso em Parque Carabobo, na capital, acusado de incêndio criminoso e incitação à destruição do patrimônio. 

Tanto a representante da Defensoria María Eugenia Torres Dugarte quanto a promotora Adriana  Salazar, que representam a defesa de Holdack, haviam pedido uma pena alternativa para o jovem, que sofre de fortes dores de cabeça e apresenta estresse pós-traumático. A juíza Susana Barreiros, no entanto, negou-lhe a liberdade condicional. 

De acordo com o jornal El Universal, no sábado, 14, quando parentes o visitaram na prisão, o estudante disse que tomou a decisão “para não esperar resposta das autoridades” e “porque sente que já não há saída para sua situação”, contou sua mulher, Aurora Armesto de Holdack.

Holdack é um dos seis presos durante os protestos no dia 12 de fevereiro de 2014. Ele foi submetido a exames médicos por conta das dores que sente, assim como a três avaliações psicológicas e psiquiátricas. Segundo o laudo, ele apresenta trastorno de ansiedade e depressão prolongada.

“Christian me disse no domingo que se sente cansado e que não vai cumprir uma condenação sendo inocente nem vai submeter sua família a esses sofrimento. Por isso, decide terminar de vez com esse sofrimento. Toda a família tratou de persuadi-lo dessa decisão, mas não conseguimos fazer ele desistir”, afirmou Aurora. 

A greve de fome do estudante joga luz à condição dos presos políticos no governo de Nicolás Maduro, que vem sofrendo críticas por parte da oposição e de entidades de direitos humanos. Na quinta-feira, 12, o piloto aposentado Rodolfo González, preso em abril suspeito de arquitetar ações contra o governo, foi encontrado morto em sua cela. 

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