Preso no Rio militar condenado por tortura na Argentina

Policiais federais da representação regional da Interpol, a polícia internacional, prenderam hoje no Rio o ex-oficial do Exército da Argentina Norberto Raul Tozzo, de 63 anos. O militar era procurado desde 2005 pela Justiça Argentina, que o condenou, com mais nove militares, pela tortura e assassinato de pelo menos 20 opositores do regime militar do país, em dezembro de 1976. O episódio ficou conhecido como Massacre de Margarita Belén, numa referência à cidade da província argentina do Chaco, cujos arredores serviram de cenário para a brutal tortura e fuzilamento de opositores do regime que estavam incomunicáveis numa prisão da região.Tozzo era o único militar condenado no caso que ainda era procurado pela Justiça. Segundo a superintendência da Polícia Federal no Rio, ele foi localizado num hotel da zona sul do Rio, onde estava vivendo clandestinamente, sem nenhum documento. Ele estava registrado no hotel com um nome falso e, segundo a PF, não reagiu à prisão e até demonstrou serenidade. O militar foi levado para o presídio Ary Franco, onde deverá aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre os trâmites da extradição.Segundo a imprensa argentina, informações de que Tozzo havia deixado o país levaram as autoridades a formular o pedido de captura internacional. O paradeiro do militar teria sido descoberto depois que autoridades argentinas realizaram escutas telefônicas que identificaram a comunicação de Tozzo com familiares. Os dez militares foram presos pela primeira vez em 2003, quando caiu por terra a versão oficial de que os prisioneiros foram mortos num ataque de insurgentes ao comboio que os transferia da prisão da cidade de Resisténcia. Eles foram soltos um mês depois por ordem da Câmara Federal de Apelações. Com a decretação da nova prisão do grupo em 2005, todos se apresentaram (um já morreu), menos Tozzo, que fugiu.O Massacre de Margarita Belén, ocorrido durante a liderança do general Jorge Rafael Videla na Junta Militar que derrubou o governo constitucional de Isabelita Perón e governou a Argentina entre 1976 e 1983, causou grande comoção no país e foi um dos elementos de mobilização da sociedade para a derrocada da ditadura.

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