Preso político que morreu foi pressionado a delatar opositores venezuelanos

Segundo ex-advogado, promotora teria oferecido benefícios se Rodolfo González denunciasse o prefeito Antonio Ledezma

O Estado de S. Paulo

16 Março 2015 | 09h57

CARACAS - Encontrado morto em sua cela na noite de quinta-feira, 12, o ex-piloto Rodolfo González teve a chance de ter sua pena diminuída caso delatasse opositores venezuelanos, como Antonio Ledezma, prefeito de Caracas preso no fim de fevereiro. 

A revelação foi feita por Joel García, ex-advogado de González. Segundo ele, em 29 de abril de 2014, seu ex-cliente contou que havia recebido a visita da promotora Katherine Harrington, na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), que lhe ofereceu “benefícios” se “delatasse” representantes da oposição. “Ele não aceitou porque não tinha quem culpar, pois nem ele sequer estava envolvido em algo”, disse García. “Pedi a ele que dissesse à promotora que falasse comigo, mas ela nunca quis.”

De acordo com o jornal venezuelano El Nacional, García esteve à frente da defesa de González até o início de janeiro. O advogado deu detalhes sobre o episódio enquanto seu ex-cliente era velado no Cemitério del Este, em Caracas. 

González foi preso em 26 de abril, em sua casa, depois de uma denúncia anônima. Chavistas o acusavam de colaborar e incentivar as violência nos protestos contra Maduro, no ano passado. Ele estava detido havia quase um ano em uma cela do Sebin sem ter sido submetido a uma audiência judicial. 

Apesar de em um primeiro momento autoridades afirmarem que ele havia se suicidado, foi ordenada uma investigação sobre o caso, a cargo da promotora Raiza Sifontes. Autoridades realização uma autópsia psiquiátrica para saber se a morte do piloto de aviação civil, que estava aposentado havia 15 anos, tratou-se de um suicídio induzido. Os procedimentos da autópsia psiquiátrica incluem entrevista com parentes e colegas a fim de descobrir se ele sofria pressão psicológica ou se tinha algum transtorno mental. 

As investigações ocorrem no momento em que o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, vem recebendo críticas por violar os direitos humanos de opositores. Na semana passada, o presidente americano, Barack Obama, emitiu um decreto no qual considerava a Venezuela uma ameaça à segurança americana além de sancionar sete membros do governo Maduro, dentre eles a procuradora Katherine Harrington.

O pacote americano teve como resposta a aprovação pela Assembleia Nacional de uma Lei Habilitante para “proteger a Venezuela de agressões”, que permite Maduro governar por decreto até o fim do ano

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