Preso suspeito da morte da Rainha Bandida

A polícia prendeu um homem que confessou ter matado a tiros a Rainha Bandida da Índia, em vingança. Segundo o assassino confesso, ela teria massacrado 21 homens, duas décadas atrás. A ex-bandida que se tornou deputada, Phoolan Devi, foi morta na quarta-feira em Nova Délhi. A polícia informou que Sher Singh Rana, um universitário, era o proprietário e foi quem dirigiu o carro usado no assassinato. Ele foi preso hoje pela polícia local em Dehra Dun, 600 km a noroeste de Lucknow, a capital do estado indiano de Uttar Pradesh."Rana confessou que junto com outro jovem, Rabindra Singh, deu seis tiros em Phoolan", afirmou o diretor da polícia estadual, A.K. Saran. O suposto cúmplice ainda está foragido. "O garoto disse que estava vingando o massacre de Behmai de fevereiro de 1981, quando Phoolan, como bandida, supostamente matou a tiros 21 homens da casta superior", afirmou Saran.A polícia havia informado anteriormente que três homens mascarados tinham matado a tiros Devi, do lado de fora de sua casa em Nova Délhi, quando ela chegava para o almoço, após participar de uma sessão do Parlamento. Um guarda-costas dela chegou a trocar tiros com os atacantes e acabou ferido. Os assassinos fugiram num carro, o abandonaram a cerca de 1,5 km da casa de Devi e escaparam num triciclo motorizado, segundo a polícia.Devi, que tinha 38 anos, nasceu numa família da casta baixa e foi vendida por seu pai aos 11 anos, para se casar. Depois de maus-tratos de seu marido, ela fugiu, apaixonou-se por um ladrão de estrada e uniu-se à gangue dele. Moradores mataram seu amante, tomaram-na como prisioneira e a estupraram repetidamente. Ela escapou, formou sua própria gangue e retornou à vila para se vingar. Sob suas ordens, a gangue dela executou 21 homens a tiros de metralhadora.Devi passou a ser perseguida pela polícia, ao mesmo tempo que se transformou em heroína para os indianos mais pobres. Foi presa em 1983 pelo assassinato dos moradores da vila, apesar de negar a acusação e nunca ter sido julgada. A Suprema Corte a libertou 11 anos depois, alegando que ela já tinha sofrido o suficiente. Pelo menos 70 casos de assassinato, seqüestro e extorsão ainda corriam contra ela.Depois de sua libertação, Devi entrou na política, dizendo que iria levar sua luta pela justiça para os pobres para dentro dos muros do governo. Ela tornou-se um membro do parlamento em 1996, conquistando forte apoio principalmente entre as mulheres e os pobres. Devi tornou-se assunto de vários livros e de um filme premiado, "A Rainha Bandida".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.