Presos de Guantánamo em greve de fome são alimentados à força

O Pentágono anunciou que as autoridades militares da base naval de Guantánamo, em Cuba, continuarão a alimentação forçada de reclusos em greve de fome, apesar dos protestos de um grupo de médicos. "Não há nenhuma mudança. Manteremos a política", afirmou Bryan Whitman, porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA. "Este é um problema complexo, tanto moral como em termos jurídicos. Não se pode esperar que todos estejam de acordo", disse Whitman ao referir-se a uma carta publicada pela revista "Lancet" onde mais de 260 médicos pedem aos EUA que ponham fim a tais práticas. O porta-voz do Pentágono destacou que essa política foi analisada cuidadosamente e "a conclusão é que neste momento esta é a forma mais adequada". Whitman acrescentou que atualmente há seis presos que fazem greve de fome, sendo que três deles estão sendo alimentados de maneira forçada. Em sua carta, os especialistas de sete países ressaltaram que existem acordos internacionais que impedem médicos de obrigar a alimentar pessoas que, por própria escolha, decidiram não comer para protestar. Além disso, lembraram ser proibido recorrer a cadeiras especiais para reter os reclusos enquanto lhe são ministrados tubos de alimentação forçada. Os especialistas disseram que os médicos que promovem essas práticas deveriam ser submetidos a medidas disciplinares por parte de seus respectivos órgãos profissionais. Um total de 263 médicos do Reino Unido, Irlanda, EUA, Alemanha, Austrália, Itália e Holanda assinaram a carta, sob a coordenação do doutor David Nicholl, do Hospital da Cidade de Birmingham, centro da Inglaterra. A base naval dos EUA em Guantánamo abriga cerca de 500 reclusos, a maioria deles aprisionados no Afeganistão e que são considerados "combatentes inimigos". Os presos não estão protegidos pelas disposições da Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra.

Agencia Estado,

11 Março 2006 | 03h12

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