Presos dezenas de suspeitos de assassinato na Sérvia

Na caça aos assassinos do primeiro-ministro da Sérvia, a polícia deteve dois ex-chefes de segurança de Slobodan Milosevic e cerca de 70 suspeitos de envolvimento com o crime organizado. Em seu primeiro comunicado oficial desde que Zoran Djindjic foi morto a tiros por franco-atiradores no centro de Belgrado, na quarta-feira, a polícia nacional informou que os suspeitos presos tinham vínculos com um grupo do submundo responsabilizado pelo assassinato."Garanto a vocês que vamos prender todos os responsáveis e liquidar qualquer um que resista à prisão", advertiu Dusan Mihajlovic, o ministro do Interior da Sérvia.Nebojsa Covic, o primeiro-ministro em exercício, disse que mais de 70 pessoas haviam sido detidas. Ele confirmou que investigadores também estavam interrogando o ex-chefe de segurança do Estado Jovica Stanisic e seu vice, Franko Simatovic.Antes de ser afastado no fim da década de 90, Stanisic, então chefe do serviço secreto sérvio, e Simatovic, que formou uma temida unidade paramilitar conhecida como Unidade para Operações Especiais, lideraram as campanhas paramilitares de Milosevic na Croácia e na Bósnia.Apesar de oficialmente marginalizados, acredita-se que os dois oficiais mantêm grande influência sobre a polícia e em círculos mafiosos, mesmo depois que o ex-presidente iugoslavo foi derrubado em 2000.Autoridades sérvias impuseram um estado de emergência nacional, dando à polícia e aos militares carta branca para investigar o assassinato, com permissão para prender suspeitos sem ordem judicial ou manter pessoas detidas por até 30 dias sem apresentação de acusações.Djindjic fez inimigos por sua forte posição pró-Ocidente e por declarar guerra ao crime organizado, que floresceu sob Milosevic e ganhou mais força depois de sua queda.Djindjic também causou indignação entre nacionalistas radicais por sua determinação de prender suspeitos de crimes de guerra, como o fugitivo número 2 do tribunal de Haia, Ratko Mladic, um ex-comandante sérvio-bósnio que, acredita-se, esteja escondido na Sérvia.O governo acusa o Clã Zemun - um obscuro grupo criminoso que teria antigos integrantes de brigadas paramilitares leais a Milosevic - de ter arquitetado o ataque a Djindjic e vários outros assassinatos não solucionados.O grupo é liderado por Milorad Lukovic, que sucedeu Simatovic em 1997 como comandante da Unidade para Operações Especiais. O grupo cometeu atrocidades contra civis durante as guerras na década de 90 na Croácia, Bósnia e Kosovo.O Clã Zemun também é suspeito de ter cometido ataques contra opositores de Milosevic durante seu regime.O governo informou que ordens de prisão para Lukovic e outros chefões do crime organizado estavam para ser assinadas por Djindjic, no dia de seu assassinato.O chefe de polícia de Belgrado, Milan Obradovic, reconheceu hoje que Lukovic e seus principais comparsas ainda não foram presos, apesar da grande operação de busca.O governo anunciou hoje que a presidência do gabinete será rotativa até que o Parlamento eleja um novo primeiro-ministro. Covic, um dos cinco vice-primeiros-ministros, foi o primeiro a assumir.Centenas de pessoas se concentraram na frente do prédio governamental onde Djindjic foi morto, colocando flores e acendendo velas.Existem temores de que o volátil país dos Bálcãs possa se afundar na violência, numa possível luta pelo poder.O partido do ex-presidente iugoslavo Vojislav Kostunica, adversário político de Djindjic, criticou a introdução do estado de emergência, uma "medida extrema e potencialmente arriscada". Ele pediu a formação de um governo transitório.

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