Presos em Guantánamo entram com ação contra EUA

Um australiano e dois britânicos capturados no Afeganistão e encarcerados na base naval de Guantánamo entraram nesta terça-feira com uma ação contra vários membros do governo do presidente George W. Bush e das forças armadas americanas por considerarem que têm os mesmos direitos legais que o taleban americano John Walker Lindh. Em contraste com Lindh, que tem advogado, foi acusado e está sendo julgado em um tribunal federal, os britânicos Shafiz Rasul e Asif Iqbal e o australiano David Hicks estão ilegalmente "incomunicáveis", disseram os advogados de seus familiares. "Pedimos que os cidadãos britânicos sejam tratados com o mesmo respeito que os americanos", disse o advogado das famílias de Rasul e de Iqbal, Clive Stafford Smith. A demanda "coloca à prova o poder do governo federal e do presidente dos EUA de manter detidos quem desejarem, simplesmente por não gostarem dessas pessoas", acrescentou William Goodman, diretor do Centro para os Direitos Constitucionais, um dos assinantes da petição perante um tribunal federal. Bush e seu governo ordenaram em novembro o encarceramento dos detidos sem lhes conceder os direitos de prisioneiros de guerra. Os detidos figuram entre os membros mais perigosos do Taleban e da organização terrorista Al-Qaeda, capturados durante a ofensiva liderada pelos EUA no Afeganistão.O australiano Hicks, de 26 anos, supostamente ameaçou matar um soldado americano ao chegar a Camp X-Ray, segundo autoridades dos EUA. Os três prisioneiros demandantes estão detidos indefinidamente, junto com outros 300 ex-combatentes. O decreto executivo de 13 de novembro viola as garantias processuais da Constituição americana - às quais, segundo a demanda, qualquer estrangeiro tem direito. A petição também acusa Bush, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, o general de brigada Michael Lehnert e o coronel Terry Carrico de impedir que os prisioneiros tenham contato com seus advogados.

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