Presos em Guantánamo terão nomes revelados

O Pentágono anunciou que irá liberar nesta sexta-feira os nomes de centenas de presos que estavam detidos secretamente há anos na base militar americana de Guantánamo, depois que um juiz federal deu causa à agência de notícias Associated Press em um processo baseado no Ato de Liberdade de Informação. O juiz de Nova York, Jed S. Rakoff of New York, considerou a petição da AP e ordenou a liberação dos documentos. "Trata-se de informações extremamente importantes que estamos pedindo desde que a base abriu", afirmou o diretor executivo da Anistia Internacional, Curt Goering. A administração Bush escondeu as identidades, os países de origem e outras informações que pudessem identificar os homens, que foram acusados de pegar em armas contra os Estados Unidos, sob a alegação de que a revelação das identidades violaria a privacidade dos presos e poderia colocar suas famílias em perigo. Os nomes foram citados em transcrições de audiências com mais de 5 mil páginas, afirmou o porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman. As páginas contém as defesas dos acusados contra as alegações de que eles eram "combatentes inimigos". Essa classificação, segundo os advogados da administração Bush, priva os acusados das proteções da Convenção de Genebra e permite que eles sejam detidos indefinidamente, mesmo sem acusações. Os documentos liberados em junho, também em virtude de um processo baseado no Ato de Livre Informação movido pela Associated Press, continha os nomes dos detentos e suas nacionalidades apagados. As transcrições de pelo menos 317 audiências em Guantánamo deveriam esclarecer a insurgência contra as tropas americanas, detalhando como muçulmanos de vários países tornaram-se parte do Talebã, no Afeganistão. Grupos de direitos humanos afirmam que manter em segredo a identidade de prisioneiro é abusivo e priva suas família de informações sobre seu estado. Os Estados Unidos, que abriram a prisão mantida dentro da base em janeiro de 2002, mantém presos, atualmente, cerca de 490 prisioneiros em Guantánamo, dos quais apenas dez foram acusados de crimes. A identidade de alguns presos que estão na base, ou que já passaram por ela, ainda não é conhecida e continuará assim mesmo depois da liberação dos documentos, já que um número ainda incerto de prisioneiros foi liberado ou transferido para outros lugares. O diretor da Associação Americana de Advocacia, Neal Sonnett, disse que espera que os documentos chamem a atenção da opinião pública sobre as condições dos detentos e a maneira como as audiências são realizadas. "Talvez ainda mais importante que apenas identificar os nomes dos presos são os trechos não editados das transcrições, que podem revelar muito sobre como eles são tratados e como seus status são determinados".

Agencia Estado,

03 Março 2006 | 19h20

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.