Presos em Mianmar foram tratados como animais, diz monge

Centenas de monges budistas presos pelajunta militar que controla Mianmar foram espancados e tratadoscomo animais, sem ter acesso a um banheiro ou a água potáveldurante dias de interrogatórios, afirmou na quinta-feira um dosmonges libertados. "No começo, as coisas estavam péssimas", disse à Reuters ohomem, que pediu para sua identidade não ser divulgada com medode sofrer represálias por manifestar-se contra o atual governo,a face mais recente de uma ditadura militar iniciada 45 anosatrás. Mantidos presos durante mais de uma semana em um complexoque abrigava antes o Instituto Técnico do Governo, no norte deYangun, os monges -- figuras reverenciadas nesse paísmajoritariamente budista -- viram-se privados de seustradicionais robes monásticos e tratados como criminososcomuns. "Quando um de nós referia-se a si mesmo como monge, recebiaum tapa", disse o monge. "O interrogador então dizia: 'Você nãoé mais um monge. Você é apenas um homem comum com a cabeçaraspada'." Os monges, considerados pelos militares como o maiordesafio a seu domínio devido à autoridade moral deles, ficaramem locais tão apertados que não tinham espaço para se deitar. Durante dias, não puderam ir ao banheiro, não conseguiramlavar as mãos e foram obrigados a pegar punhados de arroz malcozido com os próprios dedos. Em determinados momentos, em meio à incessante enxurrada deperguntas para identificar os líderes das manifestaçõesrecentes, as maiores realizadas contra a junta militar nosúltimos 20 anos, os monges que forneciam respostas consideradaserradas ou inadequadas eram atingidos na cabeça ou chutados,contou o homem libertado. Os meios de comunicação do país, controlados pelo governo,admitem que 10 pessoas foram mortas na onda de repressãoiniciada na última semana de setembro, a primeira respostaincisiva e violenta do regime militar contra os protestos.Governos do Ocidente, no entanto, afirmam que a cifra real deveser muito maior.

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