Presos políticos são soltos após Comores ocuparem ilha rebelde

Tropas do governo e da União Africana continuam buscas por líder oposicionista que fugiu vestido de mulher

Associated Press,

26 de março de 2008 | 09h24

Os prisioneiros políticos das Ilhas Comores foram libertados nesta quarta-feira, 26, um dia após tropas do Exército do arquipélago, com ajuda de militares da União Africana (UA), retomarem o controle da ilha de Anjouan, que estava desde 2001 sob controle de um grupo rebelde. Desde 1975, quando se tornou independente da França, o país enfrenta uma série de golpes e tentativas de golpe.  Foto: AP Grande parte da capital da ilha rebelde amanheceu calma nesta quarta, enquanto as tropas continuam as buscas pelo líder rebelde Mohamed Bacar - que, segundo o governo, fugiu disfarçado de mulher para a Ilha de Mayotte, uma possessão francesa. Desde cedo, Anjouan, uma das três ilhas do arquipélago no Oceano Índico, foi tomada por tiros e explosões. Centenas de tropas comorenses, apoiadas por 1.350 soldados da União Africana, tomaram rapidamente a capital, Mutsamudu, e outras importantes cidades. Centenas de pessoas saíram às ruas comemorando a chegada das tropas do governo, gritando "Bacar é um cachorro!" Na segunda-feira, os habitantes da ilha já haviam sido alertados sobre a operação militar contra os líderes rebeldes. Apesar de o governo de Comores - país de 700 mil habitantes - ter comemorado o sucesso da operação, perto da capital rebeldes ainda controlavam algumas áreas. Bacar tomou o poder em Anjouan após um golpe em 2001. Um ano depois, ele foi eleito presidente da ilha. Em 2007, sua reeleição foi declarada ilegal pelas autoridades de Comores. Há meses, o governo do arquipélago e os membros da União Africana vinham advertindo Bacar sobre a iminência de uma invasão.  A ação militar, no entanto, não foi apoiada por todos os líderes africanos. O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, criticou a decisão de retomar Anjouan à força, qualificando-a de "infeliz". "Esse tipo de decisão apenas leva Comores de volta ao uso da força para resolver um problema que poderia ter sido solucionado por meio de negociações", disse Mbeki a uma emissora de TV sul-africana. Segundo o líder da África do Sul, Bacar havia enviado uma mensagem a seu governo, prometendo eleições em dois meses. Um dos países mais pobres da África, Comores tem um índice de desemprego de 14,3%. Em 2007, a economia encolheu, com o PIB caindo 1%. Apesar de a agricultura ser a principal atividade econômica do arquipélago - empregando cerca de 80% da força de trabalho -, Comores é obrigado a importar boa parte de seus alimentos, como arroz.

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