Presos por ataque na Índia citam envolvimento estrangeiro

Três detidos, suspeitos de envolvimento nos atentados do último dia 11 em Mumbai, na Índia, admitiram o envolvimento de grupos terroristas paquistaneses nos ataques. Segundo R. R. Patil, subchefe do governo de Maharashtra, cuja capital é Mumbai, os três detidos afirmaram que grupos terroristas, com sede no Paquistão, e outros, localizados em países vizinhos, participaram dos atentados que mataram 185 pessoas em Mumbai.Patil, entretanto, não quis abordar, por enquanto, o papel exato destes grupos nos ataques. A Equipe Antiterrorista de Mumbai prendeu, na última sexta-feira, os suspeitos Kamal Ansari, Khalid Aziz e Mumtaz Ahmed. Patil não concorda com a tese de que os atentados resultaram de uma falha nos serviços de inteligência. Ele argumentou que esse tipo de ataque ocorreu também em Londres e Madri, e lembrou que, apesar disso, seu governo assumiu a responsabilidade pelo que ocorreu. "Não achávamos que os terroristas atacariam passageiros de trem inocentes", disse.Segundo o jornal local Sunday Times, Mudasir Gujri, um membro do grupo terrorista Lashkar-e-Toiba (LeT) da Caxemira, também confessou ter recebido instruções provenientes de um acampamento de terroristas no Paquistão para realizar ataques com granadas em Srinagar, a capital de verão do Estado indiano de Jammu e Caxemira, horas antes dos atentados em Mumbai. Cinco pessoas morreram nos ataques. Gurji, também conhecido como Raju, foi preso no último dia 14 na região de Baramulla, em Jammu e Caxemira. Embora o governo da Índia suspeite do envolvimento do LeT nos dois atentados, o grupo terrorista nega a participação.A Índia exigiu novamente que o governo paquistanês acabe com os acampamentos de terroristas existentes em seu território e suspendeu uma reunião entre secretários dos dois países, prevista como parte do processo de paz. O presidente do Paquistão, o general Pervez Musharraf, criticou a suspensão do encontro.Musharraf acrescentou que, se a Índia tiver alguma prova do envolvimento de paquistaneses nos atentados, seu governo cooperará com a investigação. O LeT é um dos 12 grupos separatistas que atuam desde 1989 na parte da Caxemira sob administração da Índia, para exigir sua independência ou anexação ao Paquistão. A Caxemira, de maioria muçulmana, foi dividida entre a Índia e o Paquistão após a partilha do território indiano, em 1947, quando o Paquistão foi criado. Este é o principal assunto no processo de paz iniciado pelos dois governos, em janeiro de 2004.

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