Charles Mostoller / Bloomberg
Charles Mostoller / Bloomberg

Presos são deixados para trás em operação de retirada pela passagem de furacão na Carolina do Sul

Autoridades argumentam que remover detentos para outros locais pode ser mais arriscado para população; decisão gera revolta

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 15h27

Apesar da ordem do governo do Estado da Carolina do Sul para a retirada da população devido à passagem do furacão Florence, pelo menos 650 prisioneiros do centro de detenção MacDougall Correctional foram deixados para trás. 

Segundo reportagem do site Vice News, o porta-voz do Departamento de Correções da Carolina do Sul, Dexter Lee, afirmou que seria mais seguro deixar os presos no centro de detenção do que mudá-los para outro lugar. 

Outra prisão no Condado de Jasper, o Ridgeland Correctional Institution, também não retirou seus detidos, apesar da recomendação oficial para deixar a região, de acordo com o State, um jornal da Carolina do Sul. A ordem para retirada da região, no entanto, foi removida devido às mudanças das características do furacão, que perdeu força. 

O Centro Nacional de Furacões disse que o furacão Florence, que deve tocar o solo amanhã, ainda representa risco para as pessoas. 

Em uma entrevista coletiva, o governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, afirmou que não arriscaria nenhuma das vidas da Carolina do Sul. No entanto, deixar prisioneiros para trás nas retiradas em razão de furacões é uma prática do Estado desde 1999, segundo a imprensa local, com autoridades argumentando que é mais seguro para o público deixá-los onde estão do que levar para um outro local.  

Enquanto isso, os Estados da Virgínia e Carolina do Sul, também no caminho do furacão, removeram alguns prisioneiros de detenções estaduais. No entanto, algumas cadeias locais na Virgínia deixaram os presos onde estão. 

Uma operação de retirada de prisioneiros pode ser muito cara e sempre há o risco de presos fugirem. Mas como reportou o Vice, não retirá-los pode levar a situações caóticas. 

O site lembra que durante a passagem do furacão Harvey, em agosto de 2017, prisioneiros foram deixados em uma prisão federal perto de Houston. Eles acabaram ficando com pouca comida, sem água potável e com inundações de esgoto. Muitos presos tiveram de ficar em suas celas durante a passagem do furacão. 

A notícia de que as celas na Carolina do Sul não seriam esvaziadas provocou protestos nacionais e a fúria de prisioneiros, que também pediam o fim do trabalho forçado e melhores condições dos centros de detenção. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.