Presos são explorados em fábricas estatais de Cuba

Empresas empregam 'trabalhadores escravos' sem proteção e por salários ínfimos

O Estado de S. Paulo,

22 Maio 2012 | 21h22

MIAMI - A empresa estatal cubana Provari é conhecida na ilha por fabricar desde tijolos e blocos de construção até colchões, objetos artesanais para turistas e o inseticida Lomate. O que é menos conhecido é que a ampla maioria de seus operários é formada de detentos - denunciados pelos dissidentes como "trabalhadores escravos" -, que trabalham sem proteção e recebem salários ínfimos ou nem mesmo são pagos.

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O trabalho executado por presos em Cuba "como o lado escuro da lua, não é bem conhecido", disse Elizardo Sanchez, chefe da Comissão Cubana para os Direitos Humanos e a Reconciliação Nacional. De acordo com um folheto da Provari, em 2001 ela possuía 150 fábricas espalhadas pela ilha. Sanchez diz que ela opera basicamente em 200 prisões e campos de trabalho em Cuba.

O trabalho realizado por detentos é comum em todo o mundo. Nos EUA, os presos produzem placas de carros, móveis e muito mais. "Não há nenhuma objeção, em princípio, a que empresas utilizem as prisões como fábricas", disse Andrew Coyle, do Centro Internacional para Estudos Carcerários em Londres. Mas os presos têm de receber salários e condições de trabalho iguais. "Não deve ser um trabalho forçado ou escravo."

Mas Cuba é uma ditadura, afirma Sanchez, onde o governo comunista pode fazer qualquer coisa e manter em segredo - o que inclui explorar os presos à vontade e punir qualquer um que se queixar.

Sanchez disse que estava particularmente preocupado com as condições de segurança nas fábricas nas prisões. Trabalhadores agrícolas raramente têm roupas especiais quando operam com produtos químicos e os cortadores de cana raramente usam botas adequadas para proteger seus pés dos facões.

As autoridades autorizam apenas os presos comuns, temendo que prisioneiros políticos tornem públicas as condições de trabalho. No entanto, jornalistas dissidentes e independentes que tiveram contato com prisioneiros publicaram várias notícias citando os problemas nas oficinas da Provari nas prisões.

Exploração. O jornalista Jorge Alberto Liriano Linares informou em 2010 que 16 presos haviam sofrido acidentes graves na fábrica da Provari de materiais de construção na prisão de Kilo 8, a leste da Província de Camaguey. "Os presos nesta fábrica assassina são obrigados a trabalhar sem salário, roupas, sapatos ou luvas", ele escreveu.

O Grupo International pela Responsabilidade Social Corporativa informou em 2010 que uma fábrica na Prisão 1580, perto de Havana, obrigava os presos a trabalhar até 12 horas por dia fabricando blocos de construção e raramente recebiam os US$ 10 mensais prometidos. / MCT

 
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