Presos suspeitos de pertencerem às Brigadas Vermelhas

Em uma série de operações policiais promovidas na calada da noite em diversas regiões da Itália, a polícia local prendeu hoje seis supostos membros das Brigadas Vermelhas acusados de participação no assassinato de um consultor do Ministério do Trabalho em 1999 - na primeira ação do grupo extremista de esquerda em mais de uma década. O ministro italiano de Interior, Giuseppe Pisanu, disse que os suspeitos podem estar envolvidos no assassinato de um outro consultor ministerial ocorrido no ano passado. "Com essa operação, a principal raiz das novas Brigadas Vermelhas foi cortada", disse ele a jornalistas. "A operação ainda está en andamento e poderá ter efeitos profundos na organização das Brigadas Vermelhas", disse em seguida o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. Três homens foram detidos em Roma e um em Florença, informou a imprensa local. Uma mulher foi detida em Pisa e outra na Sardenha. Massimo D´Antona, consultor do governo, foi assassinado na frente de sua casa, em Roma, em maio de 1999. Ele trabalhava numa série de reformas trabalhistas bastante contestadas na época. O crime foi reivindicado por uma dissidência das Brigadas Vermelhas, o grupo esquerdista que aterrorizou a Itália durante as décadas de 70 e 80 com atentados à bomba e tiroteios. Três anos mais tarde, o mesmo grupo dissidente - autodenominado Brigadas Vermelhas-Partido Comunista Combatente - assumiu a responsabilidade pelo assassinato de de Marco Biagi, outro consultor do Ministério do Trabalho da Itália que trabalhava na mesma reforma. "Acreditamos termos chegado aos responsáveis pelos assassinatos de D´Antona e Biagi", afirmou Pisanu. A polícia ainda não concluiu as investigações. A operação da noite de ontem envolveu cerca de mil policiais e incluiu buscas em 120 residências de seis regiões da Itália, disse Berlusconi. A polícia apreendeu cartões telefônicos, aparelhos de telefone celular, CDs, disquetes e documentos, segundo reportagens publicadas pela imprensa local. A operação foi um desdobramento da prisão de uma mulher supostamente ligada ao grupo que se envolveu em um tiroteio dentro de um trem, disseram investigadores. A mulher, Nadia Desdemona Lioce, está presa desde o incidente, no qual morreram um policial e um homem suspeito que viajava com ela. Documentos, telefones celulares e computadores portáteis pertencentes a Lioce e ao outro suspeito deram aos investigadores pistas que levaram às prisões desta sexta-feira, disseram agentes federais.

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