Erik S. Lesser/EFE/EPA
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Pressão de Trump em favor de aliado faz promotores abandonarem caso

Promotoria queria pena de até 9 anos para ex-assessor, mas Departamento de Justiça diz que vai rever pedido

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2020 | 22h56

WASHINGTON - Os quatro promotores responsáveis pela acusação contra Roger Stone, um ex-assessor de Donald Trump, renunciaram ao caso nesta terça-feira, 11, após o Departamento de Justiça sinalizar que pedirá a redução da sentença do amigo do presidente. 

A Promotoria pediu uma pena de 7 a 9 anos de prisão. A sentença final de Stone, um consultor político de 67 anos, deve ser conhecida no dia 20. 

Três promotores – Michael Marando, Adam Jed e Aaron Zelinsky – pediram autorização para deixar o caso. O outro promotor, Jonathan Kravis, pediu demissão do Departamento de Justiça. Eles não deram declarações sobre a decisão.

A saída ocorreu poucas horas depois que o presidente saiu em defesa do aliado no Twitter. “Esta é uma situação horrível e muito injusta. Os crimes reais estavam do outro lado (dos democratas), mas nada acontece com eles. Não se pode permitir esse erro judiciário”, escreveu Trump, ao tomar ciência da sentença pedida pelos promotores. 

Um funcionário de alto escalão do Departamento de Justiça afirmou que ficou “chocado” com o pedido dos promotores. Kerri Kupec, porta-voz do Departamento de Justiça, afirmou que a decisão de pedir a redução das penas foi tomada antes da postagem do presidente. 

Stone aguarda uma sentença desde que foi condenado, em novembro, por mentir ao Congresso sobre a interferência russa nas eleições de 2016, que levou Trump à Casa Branca. Ele é amigo e conselheiro do presidente dos EUA desde a década de 80.

“Roger Stone obstruiu a investigação do Congresso sobre a interferência russa em 2016, ele mentiu sob juramento. E, quando seus crimes foram expostos, ele mostrou desprezo por esse tribunal e pelas regras da lei. Portanto, deve ser punido”, escreveram os promotores no pedido de sentença. 

A decisão dos advogados de sair do caso tornou pública a tensão entre promotores de carreira e a liderança do Departamento de Justiça e levantou ainda novas preocupações sobre a politização do órgão. David Laufman, ex-funcionário do Departamento de Justiça, chamou a medida do governo de “intervenção política chocante e restritiva”.

Stone está entre os seis membros da equipe de Trump que foram acusados ou sentenciados após a investigação liderada pelo promotor especial Robert Mueller. No ano passado, Mueller publicou um relatório de quase 450 páginas que isenta Trump da suspeita de conluio com Moscou para sua eleição, mas não absolveu o presidente da acusação de obstrução da Justiça. / AFP e WP

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