Pressão por maior controle da venda de armas cresce nos EUA

Políticos anteriormente contrários à regulação do comércio e porte de armas mostram-se favoráveis a mudanças

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h02

Em uma mudança de percepção sobre suas próprias tragédias, 52% dos americanos consideraram o massacre de Newtown um sinal de problema em sua sociedade. O anúncio da estimativa, feito por uma pesquisa do jornal Washington Post e da emissora ABC News, nos dois dias seguintes à matança, deu-se em paralelo a uma mudança de posição de políticos antes relutantes em aceitar o controle no comércio de armas no país.

O senador democrata Joe Manchin, de Virgínia Ocidental, é tido como um bom atirador e recebeu apoio da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) nas suas últimas duas campanhas. Ontem, em um gesto inesperado, ele anunciou que a tragédia de Newtown "muda o diálogo" sobre o controle de armas e exige uma "ação".

"Nunca antes tínhamos visto nossos bebês abatidos. Todos nós que somos orgulhosos proprietários de armas, que somos orgulhosos membros da NRA, somos também pais e avós", afirmou Manchin à emissora MSNBC. "Nunca vi uma pessoa sair para a prática desportiva ou para uma caçada com um fuzil de assalto", completou, referindo-se a uma das armas usadas pelo atirador de Newtown.

Estima-se que 300 milhões de armas estejam nas mãos de civis nos EUA. A população do país é de 311,6 milhões. O presidente Barack Obama, nas suas duas manifestações públicas sobre a tragédia, sinalizou com possíveis ações de seu governo. "Não podemos mais tolerar isso. Essas tragédias têm de acabar", afirmou na noite do domingo, em uma celebração ecumênica em Newtown. O principal entrave contra o controle da posse e o comércio de armamento nos EUA é a Segunda Emenda, que garante aos americanos o direito de portar armas.

A senadora democrata Dianne Feinstein, da Califórnia, antecipou, no domingo, sua decisão de apresentar um projeto de lei para restringir a venda de armamentos. No entanto, ainda é incerto o teor de seu projeto e o respaldo que ele terá no Congresso. O fato de 52% dos americanos terem percebido algo errado na sociedade ao avaliar o massacre de Newtown poderá contribuir para sua aprovação.

Pesquisas anteriores não trouxeram o mesmo resultado. Depois do massacre no cinema de Aurora, no Colorado, em julho, 67% dos americanos consideraram o episódio um caso isolado. Após a pior tragédia do gênero, a morte de 32 estudantes na Universidade Virginia Tech, em 2007, o número de americanos que consideraram haver um problema mais profundo na sociedade (46%) foi similar ao dos que viram o incidente como um fato isolado (47%).

Segundo a pesquisa divulgada ontem, 27% dos consultados disseram-se favoráveis à proibição da venda de qualquer tipo de arma de fogo para civis e 49% afirmaram que as leis já existentes são suficientes para coibir a violência. A sondagem mostra que 52% dos americanos apoiariam a proibição ao comércio de pistolas semiautomáticas.

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