Pressionada, Síria promete acatar trégua, mas diz que 'retaliará ataques'

O Ministério da Defesa da Síria comunicou ontem que pretende observar um cessar-fogo a partir das 6 horas de hoje em Damasco (zero hora em Brasília), mas se reservou o direito de retaliar caso as forças leais ao regime sejam atacadas pelos rebeldes.

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / DAMASCO, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2012 | 03h01

O anúncio foi feito depois de uma advertência do mediador da ONU e da Liga Árabe no conflito sírio, Kofi Annan, de "sérias consequências" e maior pressão sobre o regime sírio se não fosse obedecido o prazo final para o cessar-fogo previsto em seu plano de paz, que vence hoje.

"Uma fonte oficial do Ministério da Defesa disse que foi decidido suspender as missões das Forças Armadas, a partir da manhã de quinta-feira, depois que elas executaram missões bem-sucedidas no combate aos atos criminosos dos grupos terroristas armados e impuseram a autoridade do Estado em todos os seus territórios", informou a agência oficial de notícias da Síria, Sana. "A fonte acrescentou que as Forças Armadas estarão em alerta para confrontar qualquer ataque dos grupos terroristas armados contra civis, agentes da lei, as Forças Armadas e instalações públicas e privadas."

O Exército Sírio Livre havia anunciado que obedeceria o cessar-fogo, desde que as forças leais ao regime se retirassem das áreas densamente povoadas, como também previa o plano de Annan. O prazo para essa medida encerrou-se na terça-feira. As forças do governo empregaram ontem helicópteros, tanques, metralhadoras artilhadas e morteiros em Homs, no centro-oeste da Síria, além de ataques em outras localidades também. Ativistas sírios afirmaram que 30 pessoas foram mortas ontem, de acordo com rede de TV Al-Jazeera. Na terça-feira, foram 101 mortes, segundo os comitês locais de direitos humanos.

"O anúncio do Ministério da Defesa é um desvio do plano de Annan, que diz claramente que ele (o presidente Bashar Assad) devia retirar os tanques e pôr fim à violência", disse pelo telefone Qassem Saad al-Deen, porta-voz do ESL dentro da Síria, à agência Reuters.

Annan esteve reunido ontem em Teerã com Ali Akbar Salehi, chanceler do Irã, principal aliado da Síria. "Acreditamos no direito do povo sírio de usufruir da liberdade de partidos políticos, da liberdade de eleições e de uma Constituição que atenda a suas aspirações", salientou Salehi, cujo país realizou eleições parlamentares em 2 de março com os principais líderes oposicionistas sob prisão domiciliar. "Qualquer mudança na Síria deve ser promovida pelo governo sírio sob a liderança do presidente Bashar Assad, que prometeu realizá-las." Assad assumiu em 2000 depois da morte do seu pai, Hafez, que por sua vez governou durante 30 anos, desde 1970.

Annan procurou se mostrar otimista com as chances de seu plano ainda ser posto em prática. Já o governo americano pareceu mais cético. "Julgamos o regime Assad por suas ações e não por suas promessas, pois elas se mostraram vazias no passado", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

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