AFP PHOTO / ATTILA KISBENEDEK
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Pressionado, Cameron promete fazer mais por refugiados sírios

Premiê disse estar comovido pela morte de bebê em um naufrágio, mas ressaltou que só acolher refugiados não resolverá o problema

O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2015 | 11h37

LONDRES - Sob forte pressão política e da opinião pública britânica, o primeiro-ministro David Cameron prometeu nesta quinta-feira, 3, "fazer mais" pelos milhares de refugiados sírios que tentam emigrar para a Grã-Bretanha. O premiê disse estar profundamente comovido pelas imagens de Ayman Kurdi, o bebê sírio morto ontem em um naufrágio na costa da Turquia, mas ressaltou que apenas acolher refugiados não resolverá o problema. 

"Nós acolhemos milhares de refugiados. Sempre fizemos isso como país e nosso sistema de asilo deve funcionar propriamente para receber e ajudar essas pessoas. Mantemos os números sob revisão e continuaremos a receber milhares de pessoas, com a ajuda de nossos parceiros", disse Cameron, que vem sido criticado há semanas, desde que a Grã-Bretanha tentou impedir a entrada de imigrantes no país por meio do Eurotúnel que atravessa o Canal da Mancha. 

"A Grã-Bretanha é um país que cumpre suas obrigações morais. É por isso que mandamos a Marinha Real resgatar vítimas de naufrágios no Mediterrâneo e gastamos 0,7% do PIB em ajuda humanitária", acrescentou. " Mas apenas receber as pessoas não resolverá todo o problema. Precisamos de um novo governo na Líbia e lidar com os problemas da Síria."

Na entrevista à TV britânica, Cameron lamentou também a morte do bebê sírio. "Qualquer pessoa que tenha visto as fotos ficou comovida. Como pai, eu fiquei profundamente comovido pela imagem daquela criança na praia", disse. 

Deputados tanto da oposição quanto do Partido Conservador, do qual o premiê faz parte, defendem uma ampliação na concessão de asilos. 

O Conselho da Europa, braço da UE para questões de direitos humanos criticou a posição de Cameron sobre o tema. "A verdade é que a Grã-Bretanha está fazendo muito menos que países como a Alemanha ou a Suécia na questão dos refugiados sírios", disse o porta-voz Nils Muinieks. / REUTERS

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