Michael Reynold/EFE/EPA
Michael Reynold/EFE/EPA

Pressionado, diretor do serviço postal dos EUA adia mudanças polêmicas para depois das eleições

DeJoy, doador de Trump, disse que as alterações nas operações da agência foram concebidas antes de sua chegada ao cargo

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2020 | 18h05

WASHINGTON - O serviço postal dos Estados Unidos vai adiar para depois da eleição presidencial de novembro uma série de reformas acusadas de desacelerar a correspondência e de colocar em risco o voto por correio, disse seu diretor-geral, Louis DeJoy, nesta terça-feira, 18.

DeJoy, um doador da campanha eleitoral do presidente dos EUA, Donald Trumpnomeado pelo presidente em junho, disse que as alterações nas operações da agência foram concebidas antes de sua chegada ao cargo.

No entanto, reconheceu que as mudanças "geraram preocupação enquanto a nação se prepara para realizar uma eleição no meio de uma pandemia devastadora".

"Para evitar até mesmo a aparência de qualquer impacto no correio eleitoral, estou suspendendo essas iniciativas até o fim da eleição", declarou.

O anúncio representa um passo atrás na campanha de reformas do serviço postal, que tinha gerado enorme polêmica em todo o país, especialmente após a agência ter admitido que os atrasos poderiam impedir o processamento a tempo de milhões de votos por correio em 46 dos 50 estados do país.

DeJoy liderou a remoção das caixas de coleta e equipamentos de processamento, além de cortar horas extras, o que, segundo um líder sindical disse à Agência France Press, desacelerou os prazos de entrega em todo o país. O plano original de redução de custos de DeJoy incluía a desativação de 10% das máquinas de processamento de correio, de um total de 671.

As mudanças e as declarações do presidente levaram a acusações, por parte da oposição democrata, de que a Casa Branca está tentando minar a eleição, na qual Trump disputa um segundo mandato.

Os democratas, maioria na Câmara dos Deputados, convocaram a instituição para tratar das questões. DeJoy deve depor perante os comitês da Câmara e do Senado nesta semana e na próxima.

Trump havia apoiado os cortes no serviço postal e, em entrevista concedida na semana passada, admitiu que estava bloqueando a aprovação de novos financiamentos para a agência para evitar que esta tivesse recursos suficientes para garantir a "votação universal por correio" nas eleições de novembro.

O presidente já manifestou veementemente a sua oposição ao voto por correspondência, que só se justifica quando os cidadãos estão longe do Estado onde estão registrados no dia das eleições. Segundo Trump, este método pode facilitar fraudes, apesar de diversos estudos demonstrarem ser algo improvável. /AFP e EFE

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