Pressionado, Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão

Presidente era o principal aliado dos Estados Unidos na luta contra o terrorismo islâmico na região

Agências internacionais,

18 de agosto de 2008 | 05h11

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, anunciou nesta segunda-feira, 18, sua renúncia em discurso transmitido pela TV para todo o país. Ele estava no poder desde um golpe de Estado, em 1999, e vinha sofrendo pressões da coalizão que governava o país desde fevereiro, que ameaçava pedir o seu impeachment.   Veja também: Perfil: Musharraf viveu reviravolta após 11/09 Coalizão diz que renúncia é vitória do povo EUA apoiarão o Paquistão no combate ao terror, diz Rice Taleban aposta em diálogo no Paquistão após saída de Musharraf   Segundo Musharraf, a renúncia serve para impedir uma batalha que prejudicaria os interesses do país. O presidente ainda afirmou que deixa a cena política sabendo que fez o que fez pelo povo e pelo Paquistão. "Espero que o povo me perdoe pelos meus erros. Meu destino está nas suas mãos", disse. O presidente do Senado do Paquistão, Mohammedmian Soomro, assumiu a Presidência interina do país. Ele deve permanecer no cargo até a realização de novas eleições, algo que a Constituição prevê que sejam realizadas em um prazo de até dois meses. A campanha de impeachment foi lançada na semana passada por líderes do Partido do Povo do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto - assassinada durante campanha parlamentar num atentado em dezembo -, e pela Liga Muçulmana do Paquistão Nawaz (PML-N, na sigla em inglês), liderado pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. Os dois grupos afirmavam que teriam condições de mobilizar os dois terços do Parlamento necessários para aprovar o impeachment.   Musharraf é acusado de incompetência e de violar a Constituição do país. O presidente paquistanês disse que não é hora para mais confrontos e que está renunciando depois de consultar seus conselheiros. Ele disse que "alegações falsas" foram feitas contra ele por pessoas que "tentaram transformar a verdade em mentiras". O mercado de ações em Karachi subiu 4% com a notícia da renúncia. Muitos investidores parecem ter visto a decisão como um fim à incerteza política. Há relatos de comemorações em várias cidades, com pessoas dançando nas ruas.   Segundo a BBC, durante o discurso, Musharraf defendeu suas ações nos últimos nove anos, dizendo que liderou o Paquistão em algumas de suas piores crises desde a independência em 1947, incluindo uma crise com a Índia que quase levou à guerra e as consequências dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, que deu início à chamada guerra contra o terror. Ele disse ainda que nos últimos oito meses, desde que deixou de exercer os poderes do Executivo, a economia do Paquistão vem se deteriorando.   Entenda a crise   Musharraf, ex-comandante do Exército e um aliado-chave dos Estados Unidos na chamada guerra contra o terror, chegou ao poder através de um golpe de Estado sem violência em 1999. Após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, ele se tornou o principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, o que provocou protestos dentro do país. Muitos paquistaneses culpam a crescente onda de violência no país pela aliança. O país é uma das potências nucleares do mundo e viveu desde sua independência, em 1947, poucos períodos de estabilidade política.   Em março, Musharraf removeu dezenas de juízes da Suprema Corte, entre eles o presidente Iftikhar Mohmammed Chaudry, o que provocou uma série de protestos no país. No ano passado, parte do clero radical islâmico do país declarou oposição aberta a Musharraf. O auge da crise aconteceu em julho, quando os religiosos se entrincheiraram na Mesquita Vermelha de Islamabad. O exército invadiu o templo, numa ação que deixou 105  mortos. Em outubro, o presidente  se reelegeu no comando do país em uma eleição indireta, mas a Suprema Corte exigiu que ele deixasse o comando do exército para continuar do poder. Algumas semanas depois, em novembro, Musharraf instalou estado de sítio no país. Após pressão internacional e interna, Musharraf retirou a medida e convocou eleições parlamentares. . Os dois principais líderes da oposição paquistanesa, Nawaz Sharif e Benazir Bhutto, que estavam no exílio, retornaram ao país. Benazir foi morta em um atentado em dezembro.  Os partidos de oposição chegaram ao governo de coalizão em fevereiro depois de uma vitória esmagadora nas urnas, enfraquecendo ainda mais o governo de Musharraf.     Texto atualizado às 10h40.

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