Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Pressionado por investigação sobre relação com Rússia, Trump ataca Hillary

Promotor especial designado para examinar se houve conluio entre a campanha republicana e Moscou, Robert Muller, deve indiciar o primeiro envolvido no caso nesta segunda-feira; presidente americano aumenta cobrança sobre aliados

O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2017 | 21h02

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou parte deste domingo, 29, tuitando furiosamente a respeito das investigações sobre a ligação de sua campanha com a Rússia, em uma aparente tentativa de mudar o foco para acusações contra sua rival de 2016, Hillary Clinton. O promotor especial designado para o caso, Robert Muller, deve indiciar o primeiro envolvido no caso nesta segunda-feira.

Trump acusa ex-chefe do FBI de fraudar investigação sobre Hillary

Em uma série de postagens feitas pela manhã, Trump disse que os republicanos agora estavam repelindo as acusações da Rússia ao investigar Clinton. Mas o presidente, que várias vezes manifestou sua frustração porque seus aliados não estavam se esforçando mais para protegê-lo das investigações da Rússia, deixou claro acreditar que Clinton deveria ser perseguida com maior intensidade, escrevendo: “Façam algo!”, escreveu em letras maiúsculas.

Ele não especificou quem deveria adotar tal medida, embora os críticos o acusem de tentar influenciar indevidamente os inquéritos.

Em seus tuítes, Trump aparentemente se referia às revelações da semana passada, de que a campanha de Hillary e o Comitê Nacional Democrata pagaram por pesquisa que foi incluída em um dossiê tornado público em janeiro pelo BuzzFeed. O dossiê continha afirmações sobre uma conexão entre Trump, seus associados e a Rússia.

O presidente também trouxe de volta as acusações não comprovadas de que Hillary fazia parte de uma contrapartida na qual a Fundação Clinton recebeu doações em troca de seu apoio para o cargo de secretária de Estado para um acerto empresarial que deu à Rússia controle sobre uma grande parcela da produção de urânio nos Estados Unidos.

Trump também voltou a fazer perguntas sobre o uso feito por Hillary de um servidor de e-mail privado e ainda indagou como James Comey, o ex-diretor do FBI, conduziu a investigação sobre o assunto, encerrada sem que qualquer acusação tenha sido feita. Trump inicialmente citou o caso de e-mail como motivo para demitir Comey, antes de admitir que tomou a decisão em razão do inquérito sobre a questão russa.

A rajada de tuítes do presidente ocorreu quando ele e seus conselheiros preparavam-se para a primeira ação pública de Mueller.

Como parte de seu inquérito, acredita-se que Mueller esteja examinando se houve conluio entre a campanha de Trump e Moscou, e se o presidente fez obstrução ou não à Justiça, quando demitiu Comey.

A CNN informou na sexta-feira que um grande júri federal em Washington aprovara as primeiras acusações na investigação de Mueller e foram feitos planos para que qualquer pessoa acusada seja levada em custódia já na segunda-feira.

Entrevistado ontem no programa Meet the Press, da NBC, o senador Rob Portman, republicano de Ohio, disse que o presidente ficara muito na defensiva quanto ao inquérito de Mueller. “Nós deveríamos, em vez disso, nos concentrar no fato de ser uma afronta ter os russos se intrometendo em nossas eleições”, disse Portman, que atua na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

A senadora Susan Collins, republicana do Maine que atua no Comitê de Inteligência, disse ontem no Face the Nation, da CBS, que, enquanto ela tinha visto muitas evidências de que “os russos estavam bastante ativos na tentativa de influenciar as eleições”, ainda faltava encontrar “qualquer evidência definitiva de conluio”. / NYT

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