Pressionado, secretário de Cristina deixa o cargo

Juan Pablo Schiavi está proibido de sair da Argentina até o fim de investigações sobre acidente de trem

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

08 de março de 2012 | 03h02

O secretário de Transportes da Argentina, Juan Pablo Schiavi, renunciou ontem ao cargo "por problemas de saúde". Ele vinha sendo criticado há duas semanas pelo acidente ferroviário na estação de Once, no qual morreram 51 pessoas e 703 ficaram feridas. Ele é o primeiro membro do alto escalão do governo de Cristina Kirchner a deixar o cargo desde o início do segundo mandato da presidente, em dezembro.

A renúncia ocorre 48 horas depois de o juiz federal Cláudio Bonadío, responsável pelas investigações, proibir Schiavi de sair do país. Os donos da empresa TBA, administradora da linha na qual ocorreu o acidente, também tiveram os passaportes apreendidos.

A presidente deve nomear para o cargo Alejandro Ramos, prefeito de Granadero Baigorria, cidade de 32 mil habitantes, na Província de Santa Fe, conhecido por sua lealdade a Cristina.

Schiavi foi acusado pela oposição de omissão na fiscalização das concessões ferroviárias. Ele também foi criticado por ignorar os constantes alertas da Auditoria Geral da Nação sobre o péssimo estado das ferrovias e dos trens.

O secretário desatou a fúria dos passageiros por poucas horas após o acidente ao relacionar a tragédia ao "costume que os argentinos tem de ir nos dois primeiros vagões, para poder descer rápido do trem".

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