Andrew Harnik/AP Photo
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Pressionado, secretário de Trump renuncia por acordo com magnata acusado de abuso

Alexander Acosta deixou o cargo em meio a críticas sobre sua conduta como promotor num caso de abuso de menores envolvendo o bilionário Jeffrey Epstein

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2019 | 11h11

WASHINGTON - O secretário do Trabalho dos EUA, Alexander Acosta, renunciou ao cargo nesta sexta-feira, 12, em meio a críticas sobre sua conduta como promotor em um caso de abuso de menores envolvendo o milionário Jeffrey Epstein, em 2008.  O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump, ao lado de Acosta, na Casa Branca.

Trump afirmou que não pediu ao secretário para sair e garantiu que “odeia que isso esteja acontecendo”. O presidente ainda responsabilizou a imprensa pela pressão contra Acosta.

O secretário disse que se afastar da função foi a melhor decisão, e não queria que o caso Epstein tomasse os holofotes da agenda presidencial. Segundo ele, a renúncia será protocolada em sete dias.

Ainda nesta sexta, Trump nomeou como substituto o subsecretário do Trabalho, Patrick Pizzella. Ele foi indicado no governo de George W. Bush, mas também trabalhou na presidência de Barack Obama.

A queda de Acosta compõe uma série de demissões e renúncias de secretários em departamentos essenciais no governo, como Pentágono e Segurança Interna. Somente seis departamentos permanecem com a chefia original.

Acosta era promotor na Flórida, em 2008, quando recebeu denúncias de assédio sexual de ao menos 40 adolescentes menores de idade contra Epstein. Na ocasião, o empresário conseguiu fechar um acordo extrajudicial, intermediado por Acosta, para que ele não fosse indiciado, o que poderia render prisão perpétua.

No fim, Epstein foi acusado por delitos menores em nível estadual, ficou preso por 13 meses e indenizou financeiramente as vítimas. O caso voltou à tona este ano. Em fevereiro, um juiz federal na Flórida apontou que a Promotoria em Miami havia violado as leis federais ao ocultar o acordo.

Prisão

Epstein foi preso no dia 6 sob acusação de exploração sexual de menores de idade entre 2002 e 2005. O caso está sendo tratado pela promotoria no Distrito Sul de Nova York, já que a mansão de Epstein em Manhattan teria sido utilizada para cometer os crimes. A pena máxima é de 45 anos de prisão.

Alguns anos atrás, o magnata havia considerado Trump e o ex-presidente Bill Clinton como amigos próximos. Nesta semana, Trump afirmou que “nunca foi fã” de Epstein. / REUTERS, AP, AFP, EFE e NYT

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