Pressionados, deputados indianos aprovam lei anticorrupção

A Câmara Baixa do Parlamento indiano aprovou na terça-feira um projeto que cria o cargo de ombudsman para o combate à corrupção.

REUTERS

27 de dezembro de 2011 | 19h10

Centenas de milhares de indianos, principalmente de classe média, se mobilizaram nos últimos meses contra os pequenos casos cotidianos de corrupção e contra escândalos bilionários no segundo país mais populoso do mundo.

A indignação dessas pessoas foi galvanizada pelo ativista Anna Hazare, de 74 anos, que meses atrás realizou uma greve de fome para exigir a aprovação da lei. Na terça-feira ele iniciou um novo jejum, protestando contra emendas que atenuaram o projeto, impedindo, por exemplo, o futuro ombudsman de investigar denúncias contra altos escalões do governo.

Por causa dos protestos, o governo se comprometeu a aprovar a lei antes do final do ano. Mas o debate na Câmara Baixa (deputados) foi acirrado. O principal partido de oposição votou contra, vários outros grupos se retiraram do plenário, e o projeto não obteve os dois terços dos votos que seriam necessários para uma emenda constitucional. O projeto agora irá para o Senado, onde o governo não tem maioria.

Horas depois do início da nova greve de fome de Hazare, uma TV local disse que ele talvez precise ser hospitalizado. Médicos estiveram no local do protesto dele, num terreno de Mumbai, centro financeiro do país, e recolheram amostras de sangue para exames.

O apoio popular a Hazare diminuiu nos últimos meses, por causa da disposição do governo em aprovar o projeto anticorrupção, esvaziando os argumentos do ativista, para quem nada está sendo feito para combater o problema na terceira maior economia asiática. Disputas internas no movimento e acusações de irregularidades financeiras por parte de assessores dele também abalaram a reputação do líder ativista.

Entre os casos de corrupção mais relevantes dos últimos tempos na Índia está um escândalo envolvendo licenças de telecomunicações, que custou 39 bilhões de dólares aos cofres públicos, segundo uma investigação do governo, e várias irregularidades financeiras por ocasião dos Jogos da Commonwealth, ocorridos em 2010 em Délhi.

(Por Rajesh Kumar Singh e Kaustubh Kulkarni)

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