Pressões e ameaças na ONU humilham países, diz Vaticano

As pressões exercidas pelos grandes países sobre os pequenos do Conselho de Segurança da ONU alteram o processo de decisão no organismo, afirmou um alto prelado do Vaticano em entrevista ao Corriere della Sera. "Quando se fazem promessas ou ameaças em referência ao futuro de um povo, falseia-se o processo decisório", disse o monsenhor Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício para a Justiça e Paz e ex-observador do Vaticano perante as Nações Unidas. "Não é justo que os grandes exerçam sobre os pequenos uma pressão mais forte do que sua capacidade de resistência", ressaltou Martino. "Buscar votos com ofertas ou ameaças humilha a igualdade e a dignidade das Nações", acrescentou. Segundo Martino, uma decisão externa às Nações Unidas seria um fato gravíssimo. Colocaria em dúvida não só a credibilidade como também o futuro da organização. "É inaceitável que o funcionamento da ONU seja vítima de uma lógica de poder", disse o alto prelado. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Rússia, China, França, EUA e Grã-Bretanha), divididos em dois campos, estão tentando obter a adesão dos outros 10 membros na crise com o Iraque.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.