Prestes a convocar novo gabinete, Olmert reitera promessas de campanha

O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, iniciou nesta quarta-feira os contatos para formar uma nova coalizão de governo, após a vitória do Kadima nas eleições gerais desta terça-feira. As negociações formais começarão quando o chefe do Estado, Moshe Katsav, após a rodada de consultas com todos os partidos, encomendar ao Kadima a formação do Governo. Olmert, que encabeça a lista do partido, terá que apresentar o gabinete em 28 dias, prorrogáveis por mais 14, caso haja dificuldades. No entanto, fontes próximas a Olmert asseguraram que o herdeiro político do ainda primeiro-ministro, Ariel Sharon, em coma desde janeiro, não terá grandes dificuldades para formar o governo nem para levar adiante seus planos políticos. O deputado do Kadima Haim Ramon, que deixou o Partido Trabalhista para se filiar ao partido fundado por Sharon, deu como certo que Olmert prestará juramento à frente do próximo Governo em meados de abril. Os 120 representantes do Parlamento (Knesset), entre eles 40 "caras novas" e 17 mulheres, prestarão juramento em 17 de abril. Coalizão Entre os 12 partidos que conseguiram angariar cadeiras no Knesset, dominarão os de centro e esquerda do espectro político ou "campo da paz" - aliados "naturais" de Olmert -, enquanto os do "campo nacionalista" e de direita militarão na oposição, com 32 cadeiras. Assim, Olmert pode chegar a formar uma coalizão apoiada por uma folgada maioria de 78 deputados para levar adiante seu programa para uma retirada negociada do território palestino da Cisjordânia, ou então para fazer a operação unilateralmente. Nessa coalizão podem estar, além dos 28 parlamentares do Kadima, os 20 do Partido Trabalhista, os 13 do Partido ortodoxo Shas (Guardiães da Torá Sefarditas), os 7 do Gil (Aposentados) - a grande surpresa das eleições -, os 6 do ortodoxo Yahadut Hatorá (Judaísmo Unido da Torá) e os 4 da frente pacifista Meretz (Vigor). A aliança também pode ter o apoio dos dez deputados de três partidos da minoria árabe, se o novo governo fizer uma retirada da Cisjordânia, território ocupado que os palestinos reivindicam para formar seu Estado independente. Propostas Em sua campanha eleitoral, o Kadima, assim como a maioria dos partidos israelenses, baseou sua estratégia de governo na questão palestina. O partido defende a retirada de 80 mil dos cerca de 250 mil judeus que vivem hoje na Cisjordânia. Ao saber da vitória do Kadima, o premier interino esclareceu que seu primeiro objetivo será negociar com os palestinos a futura fronteira na Cisjordânia, mas acrescentou que Israel "manterá seu destino em suas próprias mãos", referindo-se a uma possível decisão unilateral. O possível unilateralismo de Israel já foi rejeitado pelo outro ator principal do conflito após as eleições palestinas de janeiro, Ismail Haniye, primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP) desde quarta-feira. Olmert afirmou ainda que a fronteira definitiva de Israel, que deve ser estabelecida até 2010, seguirá a barreira que está sendo construída na Cisjordânia, apesar de o caminho do muro poder ser ajustado. O plano prevê ainda a manutenção do vale do rio Jordão como fronteira de segurança, além da presença militar na região e manutenção da cidade de Jerusalém dentro de Israel.

Agencia Estado,

29 Março 2006 | 19h55

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