Filip Singer/EFE
Filip Singer/EFE

Prestes a deixar o cargo, Merkel faz apelo para que alemães se vacinem 

Na edição final de seu podcast, chanceler alemã pede que população leve o 'traiçoeiro' coronavírus a sério

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2021 | 10h51

BERLIM - A chanceler Angela Merkel pediu aos alemães neste sábado, 4, que se vacinem contra a covid-19 para ajudar a conter uma quarta onda de casos que ela disse ter se tornado dramática em partes do país. A mensagem foi divulgada em seu último podcast, também transmitido por vídeo, antes de entregar o cargo ao social-democrata Olaf Scholz na próxima quarta-feira.

"Estamos em uma situação muito séria. Em algumas partes do país é preciso descrevê-la como dramática: unidades de terapia intensiva superlotadas, pessoas gravemente doentes que precisam viajar de avião pela Alemanha para obter os cuidados de que precisam", disse ela.

"É por isso que apelo a vocês novamente com urgência: leve o vírus malicioso a sério", disse Merkel no último dos mais de 660 podcasts que gravou ao longo de 16 anos de governo. "Vacine-se. Não importa se é uma primeira injeção ou um reforço. Cada vacina ajuda", alertou a chanceler, acrescentando que a nova variante Ômicron parece ser ainda mais contagiosa do que as anteriores.

As autoridades alemãs concordaram na quinta-feira em impedir que pessoas não vacinadas acessem os estabelecimentos comerciais, exceto os mais essenciais, como supermercados, farmácias e padarias.

Uma das primeiras tarefas do próximo governo, formado por uma coalizão de social-democratas, verdes e liberais, será a aprovação de um projeto de vacinação obrigatória contra covid-19, a partir de fevereiro ou março de 2022, apoiado por boa parte dos formações políticas.

A Alemanha registrou 64.510 novas infecções neste sábado e outras 378 mortes, elevando o número total de mortos para 102.946. Os hospitais alemães estão sob pressão cada vez maior, com pacientes sendo transferidos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para enfermarias comuns mais cedo do que o recomendado pelo médico, disse Gerald Gass, chefe da Associação Alemã de Hospitais, ao site de notícias Watson.

"Estamos caminhando para a medicina de desastres em alguns pontos críticos", disse Gass.

Pelo menos 68,9% dos alemães estão totalmente vacinados contra o coronavírus, aquém do objetivo do governo de uma taxa de vacinação mínima de 75%. O número de residentes não vacinados foi apontado como um fator-chave no aumento de novos casos de vírus nas últimas semanas. Os números oficiais sugerem que a taxa de infecção pode agora estar se estabilizando, mas em um nível muito alto.

O aumento de casos de coronavírus nos últimos meses foi particularmente verificado no ex-leste comunista, onde as taxas de vacinação são mais baixas e é fote o apoio ao partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que se opôs aos bloqueios impostos pelas autoridades.

A polícia interrompeu um protesto não autorizado de oponentes das restrições ao coronavírus na noite de sexta-feira em frente à casa de Petra Koepping, a ministra da Saúde no Estado da Saxônia, que atualmente tem o maior índice de novos casos.

Cerca de 30 pessoas se reuniram com tochas e cartazes do lado de fora da casa na cidade de Grimma, no leste do país. Os manifestantes protestaram contra as políticas do coronavírus antes de fugir de carro quando a polícia chegou./REUTERS, AP e AFP 

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