Préval apadrinha azarão para escapar de vingança

A vida política do atual presidente haitiano, René Préval, não acabará com a entrega do mandato. Na verdade, depois de passar o cargo ao sucessor, Préval deve se dedicar a uma atividade bem menos nobre, mas, não por isso, menos vital - sua própria liberdade e seu direito de seguir vivendo no Haiti.

, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2010 | 00h00

Por isso, ele está apoiando um candidato politicamente frágil e até então desconhecido, o engenheiro mecânico Jude Celéstin, de 48 anos, um político que fez carreira administrando o departamento de obras públicas, um local coalhado de denúncias de corrupção e superfaturamento.

"Seguro-sucessor". O presidente haitiano - que sobreviveu ao terremoto de janeiro, mas viveu em estado de torpor e pânico durante semanas, após ter visto seu palácio presidencial ruir, junto com alguns de seus mais importantes aliados, soterrados sob os escombros - teme que uma vitória da oposição no dia 28 se abata sobre seu futuro como um novo terremoto. "O destino dos presidentes por aqui é sempre o tribunal, a prisão ou o exílio. Por isso, eles apostam no "seguro-sucessor"", disse um alto representante de organismo internacional que tem acesso ao presidente, mas pediu para não ser identificado. "A segurança de Préval depende da vitória de um aliado, mas de um aliado que não tenha estatura nem vida própria, tem de ser alguém que não faça sombra a ele."

A escolha de Celéstin surpreendeu os analistas, que apostavam que a plataforma governista Inité fosse apoiar o ex-premiê haitiano Édouard Aléxis. Mas ele tinha um currículo pesado demais para ser o fiador do "seguro sucessor" de Préval. Antes de ser primeiro-ministro de Préval, Aléxis respondeu pelas pastas da Juventude, Esporte, Educação, Cultura e Interior ao longo dos último 11 anos. Toda essa experiência poderia ser boa para ajudar a tirar o Haiti do atoleiro, mas talvez não fosse ideal para livrar Préval do risco de um ajuste de contas.

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