EFE
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Prévias dão triunfo a Macri e indicam foro privilegiado para Cristina

Analistas acreditam que votação indica respaldo à agenda política do presidente, bem como polarização com partido kirchnerista

O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 18h20

BUENOS AIRES - A coalizão do presidente argentino, Mauricio Macri, mostrou força nas primárias das eleições legislativas argentinas de domingo, que servem como uma preliminar das eleições de outubro. Analistas projetam um pequeno aumento na bancada do Cambiemos e mais capital político para a agenda do presidente conservador. 

A ex-presidente Cristina Kirchner conseguiu se impor como principal força da oposição a Macri, graças a uma expressiva votação na zona metropolitana de Buenos Aires. Mantidos os resultados na eleição de outubro, ela deve obter uma cadeira no Senado, com direito a prerrogativa de foro. 

Tanto na capital argentina como nas principais províncias do interior, Cambiemos foi o partido mais votado. Na Província de Buenos Aires, a mais populosa do país, o candidato de Macri ao Senado, Esteban Bullrich, tinha apenas 9 mil votos a mais que Cristina (34,19% ante 34,11%). 

Em outubro, os argentinos renovarão um terço do Senado e metade na Câmara. Haverá renovação dos postos dos três senadores da Província de Buenos Aires, onde estão 38% dos eleitores do país. Conforme indicam as primárias, as vagas devem ficar com Bullrich, Cristina e o ex-kirchnerista Sergio Massa.

“Foi bom para o governo em razão dos triunfos nas Províncias de Neuquén, San Luis e La Pampa”, disse o analista Patricio Giusto, da consultoria Diagnóstico Político. “Cristina ainda pode ser a mais votada em outubro graças ao apoio na Grande Buenos Aires.”

Macri comemorou ainda na noite de domingo um triunfo que na madrugada de segunda-feira se mostrou apertado. O mercado reagiu com alta das ações de empresas argentinas e queda no valor do dólar. Cristina, por sua vez, proclamou-se ganhadora e criticou a maneira como o governo divulgou os resultados.

 

Se eleita, Cristina terá prerrogativa de foro, o que impediria a Justiça argentina de prendê-la no exercício do mandato. Para ser investigada, a Justiça teria de pedir autorização ao Senado, mediante maioria de dois terços da Casa. Ela responde na Justiça sobre a venda irregular de dólares do BC argentino e corrupção envolvendo um hotel na Patagônia.

Candidatos do Cambiemos triunfaram também em Córdoba, Corrientes, Mendoza, Entre Ríos, Jujuy e Santa Cruz, berço político do kirchnerismo, em uma demonstração de que Macri pode melhorar sua condição no Congresso, mas ainda sem obter a maioria parlamentar.

“Os resultados satisfazem a expectativa do governo, com uma segunda metade de mandato com uma governabilidade parecida a do primeiro, mas com uma situação um pouco melhor na Câmara e no Senado”, disse o analista Gabriel Puricelli.

A tendência até 2019 é a de uma crescente polarização entre Macri e Cristina, com essa consolidando-se como antagonista do presidente. “O resultado para Cristina foi satisfatório. Ela arriscou e deve obter uma cadeira no senado”, acrescentou Puricelli. “O governo deve consolidar-se como primeira força política, mas Cristina ainda tem muita força na Grande Buenos Aires”, ressalta o consultor Rosendo Fraga. / AFP e AP

 

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