Prévias de Indiana são ‘tudo ou nada’ para senador Cruz

O discurso sobre política externa feito na quarta-feira por Trump alarmou aliados dos EUA; ministro das Relações Exteriores alemão, Frank Walter Steinmeier, disse esperar que a eleição americana não 'perca a noção da realidade'

Jennifer Rubin, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2016 | 07h11

Se já não fosse evidente, os resultados espantosos da noite de terça-feira deveriam ter acabado com todas as dúvidas: se o senador Ted Cruz, que conseguiu uma promessa do governador de Ohio, John Kasich, de que evitará o Estado, não ganhar em Indiana na próxima terça, isso encerrará efetivamente sua candidatura.

Ele não será matematicamente eliminado, mas se não conseguir quebrar a série de grandes perdas, se não demonstrar que seu apelo vai além de sua base de eleitores conservadores e não convencer os republicanos a votarem nele, Donald Trump terá grandes chances de ganhar e conseguir os 1.237 delegados antes da convenção. Além disso, uma derrota em Indiana encorajará a entrada na disputa de um terceiro pré-candidato republicano, se for preciso para deter Trump.

Por um lado, ganhar em Indiana parece totalmente viável para Cruz. Indiana é certamente um território mais propício para o senador. Ele foi muito bem no centro-oeste e terá o apoio dos grupos independentes “Never Trump”. Além disso, como Davis Wasserman ressaltou, Cruz está indo bem, e Trump não, nos bairros ricos dos Estados republicanos. Os bairros de Indianápolis certamente se enquadram nessa categoria. Além disso, Cruz pode encontrar apoio em redutos sociais conservadores da região ao redor de Fort Wayne.

De qualquer modo, Indiana não é como Wisconsin, onde Cruz ganhou bem no dia 5. O senador ainda não tem o apoio do governador de Indiana, o republicano Mike Pence. Mas, principalmente, o popular ex-governador Mitch Daniels é hoje presidente da Universidade Purdue e, ao que tudo indica, também não vai apoiar. Ao contrário de Wisconsin, não há em Indiana uma rede unificada de rádios dando-lhe força. E mais: uma boa parte do Estado parece demograficamente favorável a Trump, como observou o Wall Street Journal.

Em outras palavras, vai ser uma briga de foice e uma competição que Cruz não pode se dar ao luxo de perder.

Mas Cruz, apesar das limitações, ainda pode vencer em Indiana e fazer o bastante para empurrar a disputa para o plenário da convenção. Se isso ocorrer, ele continuará sendo o favorito à indicação. Mas delegados são particularmente sensíveis ao tema da elegibilidade, e o problema de Cruz em ampliar seu poder de convencimento. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA E ROBERTO MUNIZ

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