Trump e Hillary vencem primárias em Nova York

Trump e Hillary vencem primárias em Nova York

Ex-secretária de Estado dos EUA e magnata republicano confirmam favoritismo

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / Nova York, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 16h46

Donald Trump obteve nesta terça-feira uma vitória avassaladora nas primárias do Partido Republicano em seu Estado natal de Nova York, o que aumentou suas chances de conquistar a candidatura à Casa Branca antes da convenção da legenda, em julho. “Vamos ter muito mais delegados do que todo mundo projetava”, afirmou o bilionário à noite, quando apuração parcial dava a ele 65% dos votos.

Eleita duas vezes senadora por Nova York, a democrata Hillary Clinton derrotou seu adversário Bernie Sanders, que dependia de uma vitória no Estado para manter a credibilidade de sua candidatura. Até a véspera da votação, o senador apostava em uma “virada” que desse impulso às suas pretensões. 

A grande vantagem de Trump em Nova York fortalece sua posição na disputa com o senador Ted Cruz, que tenta evitar que o bilionário obtenha os 1.237 delegados necessários para garantir sua nomeação. Se não chegar a esse número antes do fim das primárias, Trump corre o risco de enfrentar uma convenção aberta, na qual o comando republicano pode tentar escolher um nome mais alinhado com o establishment do partido. “O senador Cruz está matematicamente eliminado”, afirmou o bilionário.

Durante o dia, nova-iorquinos foram às urnas para votar na mais disputada prévia de que participaram em décadas. Em razão do calendário eleitoral, a decisão sobre os nomeados de cada legenda normalmente já está definida quando os moradores do Estado vão às urnas.

A corrida ganhou relevância ainda maior pelo fato de três dos cinco candidatos terem laços com a cidade de Nova York: Trump nasceu no Queens e vive em Manhattan, Sanders passou seus primeiros 19 anos de vida no Brooklyn e Hillary foi eleita duas vezes senadora pelo Estado.

Veronika Conant nasceu na Hungria, Stalin Urbano, na República Dominicana, Elvira T., nas Filipinas, e Maya M., na Índia. Representes dos 37% de estrangeiros que vivem em Nova York, todos foram às urnas.

Conant tem 77 anos e deu seu voto a Sanders, desafiando o estereótipo de que o senador por Vermont é popular entre os jovens, mas tem dificuldades para conquistar os eleitores com mais de 45 anos. “Estou cheia dos que estão governando o país.” Como muitos dos seguidores de Sanders, ela aponta para sua proposta de acabar com a influência das empresas nas campanhas políticas como um fator decisivo de sua escolha. 

Filha de judeus vítimas do Holocausto, Conant votou na Sinagoga Central, em Manhattan, mesmo lugar onde Trump marcou o seu próprio nome na cédula eleitoral na manhã de terça-feira. Se Hillary vencer a disputa pela nomeação do Partido Democrata, ela não terá o voto de Conant nas eleições gerais de novembro. “Hillary votou a favor da Guerra do Iraque e eu marchei contra a guerra.”

Era difícil encontrar eleitores declarados de Trump em Manhattan, um território democrata onde o presidente Obama venceu as eleições de 2012 com 84% dos votos.

Em frente à Universidade de Columbia, no norte da ilha, o escritor e professor universitário Jim Goodman usava buttons de Hillary e de Sanders. “Qualquer um dos dois é infinitamente melhor do que qualquer republicano”, observou.

Goodman nasceu em New Jersey, vive há 20 anos em Nova York e votou em Hillary, por acreditar que ela terá mais chances de vencer as eleições gerais. Seu maior receio é que um republicano chegue à Casa Branca e consiga preencher as três ou quatro cadeiras que ficarão vagas na Suprema Corte nos próximo anos, moldando uma instituição que define uma série de questões fundamentais nos EUA.

O dominicano Urbano optou por Hillary por acreditar que ela é a mais experiente e preparada. Seu amigo Ray Arias, também dominicano, avalia que a ex-secretária de Estado é a que melhor representará o país, além de ser a que tem mais chances de vencer Trump. O pragmatismo, porém, não estava entre os fatores que definiram o voto de David Lazarus, de 64 anos, que fez campanha para Sanders. “Bernie propõe o retorno aos valores socialistas de Franklin Roosevelt. Ele está fazendo as pessoas sonharem de novo”, afirmou.

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