Previsões de crescimento são reduzidas em países da África afetados pelo Ebola

Serra Leoa, Guiné e Libéria estão entre os países mais pobres da região e os mais afetados pela pior epidemia de Ebola já registrada, que matou cerca de 2.300 pessoas

UMARU FOFANA, REUTERS

10 de setembro de 2014 | 22h05

Serra Leoa cortou sua previsão de crescimento econômico em 2014 para 7 ou 8 por cento, uma vez que o surto de Ebola afeta os negócios de exportação de minério de ferro do país do Oeste Africano, disse o governo nesta quarta-feira.

As perspectivas econômicas para Guiné e Libéria, outros dois países do Oeste Africano dependentes de mineração que também lutam contra o Ebola, foram reduzidas pelo Standard Chartered Bank.

Serra Leoa, Guiné e Libéria estão entre os países mais pobres da região e os mais afetados pela pior epidemia de Ebola já registrada, que matou cerca de 2.300 pessoas.

O ministro das Finanças de Serra Leoa, Kaifala Mara, disse à Reuters que a estimativa anterior de um crescimento de 11,5 por cento este ano é "inatingível diante do surto de Ebola".

"A arrecadação está caindo [porque] muitas das grandes empresas estão patinando", disse ele, estimando que o governo já perdeu 60 milhões de dólares em receita nos últimos três meses, à medida que a atividade nos setores como mineração e turismo secou.

O fim da guerra na Serra Leoa pouco mais de uma década atrás levou a um investimento em larga escala de empresas de mineração, como a African Minerals e a London Mining, estimulando o rápido crescimento econômico, mesmo não tendo sido acompanhado por um desenvolvimento.

Paz e praias imaculadas levaram cerca de 60 mil visitantes no ano passado através da indústria turística nascente no país.

Mas, em face da doença mortal, as mineradoras tiveram a atividade reduzida, voos foram suspensos e fraco sistema de saúde do governo está lutando para conter a doença, que já matou 509 pessoas até agora no país.

Em um relatório de 8 de setembro, o Standard Chartered cortou sua previsão para o crescimento econômico de Serra Leoa este ano a 7 por cento, contra previsão anterior de 12 por cento.

"A produção de minério de ferro, que representou mais de dois terços do crescimento real do PIB de Serra Leoa de 20 por cento em 2013, deverá ser significativamente afetada em 2014", disse o Standard Chartered.

Casos no atual surto de Ebola foram confirmados pela primeira vez em Guiné em março. A doença, desde então, se espalhou pela Libéria e Serra Leoa, e casos também foram relatados na Nigéria e Senegal.

Mas o impacto da doença e as restrições impostas para combatê-la são sentidos em toda a região.

O Standard Chartered disse que a economia da Libéria deve crescer 4 por cento, contra previsão anterior de 5,9 por cento, em grande parte devido às mineradoras suspendendo operações e postergando investimentos.

Segundo o órgão, o Ebola poderá se somar às incertezas políticas e aos cortes de energia na Guiné, onde o crescimento econômico deve cair para 2,5 por cento, ante uma previsão de 4,5 por cento.

"Como esses países são dependentes da mineração, as revisões de crescimento vêm na esteira da escassez da produção esperada", disse o Standard Chartered.

"Interrupções para cadeias de valor agrícolas também são consideradas. As consequentes pressões sobre os preços podem impulsionar a inflação para dois dígitos até o final do ano", disse o Standard Chartered.

A Organização Mundial da Saúde alertou que o Ebola pode infectar até 20.000 pessoas na África Ocidental.

(Reportagem adicional David Lewis)

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