REUTERS/Martin Acosta
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Primárias confirmam vantagem do kirchnerismo na sucessão argentina

Apesar de largar à frente de rivais na campanha que definirá presidente após Cristina Kirchner, boca de urna aponta que Daniel Scioli pode ter de enfrentar inédito 2º turno

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2015 | 20h54

(Atualizada às 12h de 10/08) BUENOS AIRES - O candidato kirchnerista Daniel Scioli venceu neste domingo, 9, a eleição primária de participação obrigatória na Argentina. Segundo resultados iniciais, entretanto, os votos conquistados pelo ex-piloto de lancha e atual governador da Província de Buenos Aires não seriam suficientes para levar o governismo a uma vitória no primeiro turno da disputa presidencial, em 25 de outubro. 

Com 97,5% dos votos apurados, Scioli tinha 38,45%. A coalizão do conservador Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, aparecia com 30,01% e o grupo do ex-kirchnerista Sergio Massa obtinha 20,64%.

Pesquisas de boca de urna de diferentes empresas de consultoria apontavam como únicas certezas a vitória de Scioli e de seu grupo político, a Frente pela Vitória (FPV), e a ordem dos opositores que o seguiram. Macri venceu a interna da coalizão Cambiemos, formada ainda pelo senador Ernesto Sanz, da União Cívica Radical (UCR) e pela deputada Elisa Carrió (ARI). Massa ganhou de José de la Sota a disputa na aliança UNA. 

Para evitar um segundo turno, um candidato precisa obter 45% dos votos válidos ou 40%, desde que consiga 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado. Embora não tenha chegado ao limite imposto pela lei para uma vitória em outubro, a proximidade dos 40% animou o governismo – mesmo que soma dos votos dos dois opositores supere os do kirchnerismo. 

A diferença entre as coalizões de Macri e Massa não permitia deduzir se haverá uma polarização entre os dois primeiros até outubro – o que era uma tendência nos últimos meses, pela queda de Massa nas pesquisas –, ou se os opositores travarão uma disputa para enfrentar Scioli em 22 de novembro, no segundo turno. Um triunfo por ampla margem de Macri sobre Massa tenderia levar o “voto útil” para o conservador. Um equilíbrio entre os opositores favoreceria Scioli. 

Regional decisiva. Na disputa pela nomeação para representar o governismo na eleição pelo comando da Província de Buenos Aires, o número 2 do kirchnerismo, Aníbal Fernández, levava vantagem sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Julián Domínguez. 

A votação regional, que já era importante pelo número de eleitores – 37% do país – ganhou relevância por uma denúncia feita há oito dias de envolvimento de Fernández com o narcotráfico e um triplo homicídio há sete anos. O tema será central nos 77 dias até a eleição. A denúncia foi feita por um dos condenados pelo crime no programa Periodismo para Todos, do jornalista Jorge Lanata. O condenado a prisão perpétua disse que Fernández recebeu US$ 5 milhões com o tráfico de efedrina, usada na fabricação de ecstasy. Fernández se declarou inocente e creditou a acusação a seu colega de partido e rival na prévia, Domínguez.

Adeus. A primária marcou o início da despedida de Cristina Kirchner do poder. Ela governou nos últimos oito anos e permanecerá na Casa Rosada até 10 de dezembro. A presidente votou em Río Gallegos, na Província de Santa Cruz, base política da família. Ela falou que o país nunca havia passado por eleição presidencial sem uma crise institucional. “Nesse aspecto, é uma votação inédita.

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