Primavera árabe coincide com um outono para Israel

Deterioramento das relações com Egito, Turquia e palestinos isola ainda mais Israel

Ethan Bronner / NYT, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2011 | 00h00

Com o ataque à sua embaixada no Cairo, seu embaixador expulso da Turquia e os palestinos buscando o reconhecimento de seu Estado na ONU, Israel se vê cada vez mais isolado.

Aluf Benn, editor-chefe do jornal esquerdista Haaretz, reconhece que Binyamin Netanyahu não pode ser culpado pelos acontecimentos no Cairo, pela ascensão de um partido de inspiração islâmica na Turquia ou pelo programa nuclear iraniano. Mas, ecoando críticas feitas pelo governo Barack Obama, diz que Netanyahu "nada fez para amenizar as consequências nefastas dos problemas citados".

Em opinião consonante com a do governo israelense, Eli Shaked, ex-embaixador israelense no Cairo, respondeu aos críticos que "o Egito não avança no rumo da democracia, e sim no da radicalização islâmica". "Ocorre o mesmo na Turquia e em Gaza. Foi exatamente o que ocorreu no Irã em 1979."

Os possíveis efeitos colaterais das disputas diplomáticas já vieram à tona. A crescente hostilidade por parte do Egito pode exigir uma reelaboração radical da doutrina defensiva israelense que, nas últimas três décadas, contou com a paz na sua fronteira sul. A ameaça feita pela Turquia na semana passada aos planos israelenses para a exploração de jazidas de gás no Mediterrâneo Oriental pode prejudicar o acordo de Israel com o Chipre para a exploração de recursos energéticos e poderia aprofundar as tensões com o Líbano envolvendo os direitos de perfuração.

Tradicionalmente, muitos líderes árabes usaram Israel como bode expiatório, voltando a fúria do seu público contra o Estado judaico e responsabilizando o país por seus problemas. Mas outra interpretação predomina no exterior - muçulmanos, árabes e boa parte da população mundial acreditam que Israel ocupa injustamente os territórios palestinos. "O mundo está cansado desse conflito e furioso conosco, pois nos enxerga como conquistadores que governam outro povo", disse Binyamin Ben-Eliezer, parlamentar do Partido Trabalhista e ex-ministro da Defesa de Israel. "Se eu fosse Netanyahu, optaria por reconhecer o Estado palestino. Poderíamos, então, negociar a definição das fronteiras e a garantia da segurança. Restou-nos um único aliado, os EUA, e mesmo esse relacionamento está desgastado."

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