Primavera Árabe derruba vendas do Brasil para região

Exportações para Síria, que dobraram entre 2008 e 2010 e alcançaram quase US$ 550 milhões, caíram 79% este ano

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2012 | 03h06

Desde o começo da Primavera Árabe, o comércio brasileiro com países da região caiu drasticamente e o caso sírio é um dos mais emblemáticos. Entre 2008 e 2010, o volume de exportações do Brasil para o país de Bashar Assad havia dobrado, chegando a quase US$ 550 milhões. Em abril deste ano, as vendas não passaram de US$ 2 milhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No ano, a queda é de 79%.

O Brasil não seguiu o embargo de americanos e europeus contra Assad, mas sofreu as consequências dele. Alguns dos principais empresários importadores de produtos brasileiros, como o açúcar, estão na lista de restrições da Casa Branca, o que os impede de fazer pagamentos e transações.

Um deles é Tarif Akhras. Fontes em Damasco disseram ao Estado que o executivo foi escolhido para liderar o Conselho Empresarial Brasil-Síria em 2010 e foi, naquele momento, um dos maiores apoiadores da aproximação entre Assad e o Brasil. Akhras era também o principal importador de açúcar do Brasil. No ano passado, foi colocado na lista dos EUA por sua proximidade ao regime de Assad e teve seus ativos bloqueados.

No caso líbio, dados oficiais apontam que, entre 2010 e 2011, o Brasil perdeu mais de US$ 300 milhões com a redução do comércio com Trípoli, uma queda de 77%. O fluxo voltou a se recuperar, depois da queda de Muamar Kadafi. Mas dificilmente chegará ao nível de 2010, com U$ 450 milhões em vendas.

No Egito, Ahmed Ezz era o maior importador de minérios brasileiros entre os países árabes. Próximo da família Mubarak, Ezz foi preso em fevereiro de 2011 e julgado por corrupção.

O volume das vendas brasileiras para o Egito foi abalado no primeiro semestre de 2011, com uma queda de até 30%. Mas o segundo semestre recuperou o prejuízo e as vendas acabaram batendo um recorde no ano, com US$ 2,6 bilhões. Dados oficiais brasileiros, porém, mostram que as exportações voltaram a sofrer desde fevereiro de 2012, quando a turbulência e a indefinição política voltaram a ganhar terreno no Egito. As exportações sofreram uma queda de até 50% em comparação com o fim de 2011.

Com o Bahrein, os dados oficiais mostram que 2012 registrou um recuo de 20% nas exportações brasileiras, para um total de US$ 155 milhões nos quatro primeiros meses do ano.

No Iêmen, as vendas brasileiras chegaram a US$ 416 milhões em 2010. Mas sofreram em 2011 uma redução de 26% e terminaram o ano com US$ 307 milhões. Para 2012, as taxas revelaram uma recuperação lenta.

Na Tunísia, origem dos protestos, o volume das vendas brasileiras resistiu em 2011, chegando a crescer quase US$ 380 milhões. Mas o início de 2012 já registrou uma nova queda, de 18% nos quatro primeiros meses do ano.

Diplomatas de alto escalão do Brasil em países no Oriente Médio disseram ao Estado que o momento é de transição e o impacto nas vendas é "natural".

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