Primaz anglicano diz que Guantánamo é uma ´anomalia´

O primaz da Igreja Anglicana e arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, lançou, neste domingo, um duro ataque contra o centro de detenção dos Estados Unidos em Guantánamo, Cuba, que descreveu como uma "anomalia legal extraordinária". Em entrevista à emissora pública britânica BBC, Williams advertiu que a criação da prisão, na qual estão reclusos supostos membros da Al Qaeda e ex-combatentes talebãs sem garantias legais, existe um perigoso precedente. Na opinião do arcebispo, Guantánamo envia uma "mensagem" que será bem recebida por "tiranos em qualquer parte do mundo, agora e no futuro". "Que vão dizer as pessoas dentro de dez anos sobre um sistema que tolera isso (detenção sem garantias legais)?", questionou o primaz anglicano, que também classificou o terrorismo como "um insulto a Deus e ao homem" e condenou o "extremismo muçulmano". Defesa No último dia 1º, o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, disse que Guantánamo é uma "anomalia" e "deve ser fechado", mas defendeu as circunstâncias em que a prisão foi aberta, em alusão aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos estados Unidos e a guerra que derrubou o regime talebã no Afeganistão. Em Guantánamo, há cerca de 500 reclusos, a maioria capturada no Afeganistão e que o governo de Washington considera "combatentes inimigos". Apesar de serem prisioneiros de guerra, o sistema utilizado na prisão não respeita a Convenção de Genebra - tratado que obriga a aplicação de direitos humanos aos detentos.

Agencia Estado,

05 Março 2006 | 10h21

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