Primeira ação diplomática de Lula depende de atores venezuelanos

O sucesso da primeira operação diplomática da administração Lula, iniciada na semana passada em Caracas pelo assessor internacional do futuro presidente, Marco Aurélio Garcia, dependerá da capacidade e disposição dos atores políticos da Venezuela de negociarem soluções para os vários e espinhosos problemas que hoje dificultam uma saída democrática para a confrontação entre o presidente Hugo Chávez e seus opositores. Uma fresta de esperança abriu-se nos últimos dias, depois que Chávez e seus adeptos no Congresso admitiram a possibilidade de reformar a Constituição de forma a permitir uma saída pela via das urnas antes do referendo revogatório do atual governo, que, pelas regras vigentes, não pode acontecer antes de agosto de 2003. "Viemos à Venezuela para nos informar e também para comunicar ao presidente Chávez e aos líderes da oposição democrática a disposição do Brasil de ajudar, porque é do nosso interesse continuar as boas relações que o atual governo manteve com a Venezuela e não é do nosso interesse ver um país amigo e vizinho passar pelo trauma de uma guerra civil", afirmou Garcia à Agência Estado (AE), resumindo o que disse a Chávez nas duas conversas que teve com ele, na quinta-feira. Na noite de sexta-feira, o conselheiro do presidente eleito, que deverá ocupar-se principalmente da política regional do Brasil como chefe da assessoria internacional do Planalto, disse que não ignora os perigos de uma desorganização econômica ou de uma esagregação política presentes hoje na venezuelana. "Mas há alguns sinais de que a confrontação pode estar chegando a um ponto de saturação e isso pode abrir um espaço para a busca de um entendimento", afirmou Garcia. Se o país evoluir nos próximos dias para esse cenário, Chávez e os setores da oposição interessados em explorar uma saída constitucional terão que resolver três enormes problemas. O primeiro é a organização de uma estrutura de Justiça eleitoral aceitável para todos. O segundo é o formato das eleições, que inclui decisões tais como se Chávez poderá ou não ser candidato e, sendo, se terá ou não que se afastar do Palácio de Miraflores durante a campanha. Não menos problemática é a transformação dos meios de comunicação venezuelanos, especialmente da TV, em instrumento de propaganda da oposição a Chávez, o que dificulta o debate civilizado de idéias e propostas. Garcia, que começou hoje os contatos com representantes da oposição, depois de ter completado as conversas no governo, iniciou gestões para formar um grupo de países amigos da Venezuela que tentará encaminhar uma solução para a crise, em coordenação com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria. Ele recebeu com satisfação as manifestações positivas de Washington sobre a missão que recebeu do presidente eleito. "Temos o mesmo interesse por uma solução constitucional e democrática na Venezuela", disse. O assessor de Lula volta /amanhã ao Brasil.

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