Primeira-dama é suporte emocional de Assad

Casada com o presidente Assad desde 2000, ela mantém campanhas ambientalistas

Roberto Godoy - O Estado de S.Paulo,

30 de agosto de 2013 | 23h01

Nesta sexta-feira de manhã, Asma Assad, a "Rosa do Deserto", foi à guerra. Ajudou crianças do ônibus escolar a desembarcar, circulou na galeria da Mesquita Sayydah Duqayya e conversou com improváveis turistas na Praça do Mausoléu de Saladino, do século 12, construído em Damasco por veteranos das Cruzadas.

Duas estações de TV, uma da Europa outra dos EUA, acompanharam a ação de propaganda do governo sírio. Asma, de 38 anos, é uma mulher bonita e muito elegante. Há dois anos, a revista Vogue publicou uma reportagem sobre ela sob o título de "Uma rosa no deserto". O texto foi, pouco depois, retirado da edição eletrônica.

Casada com o presidente Bashar Assad desde 2000, mãe de três filhos, ela mantém campanhas ambientalistas e em favor da agricultura orgânica.

Em algum outro ponto da cidade de 1,2 milhão de habitantes - cerca de 500 mil já fugiram da capital - o general de brigada Maher Assad expediu uma ordem à tropa que comanda, os 30 mil homens da Guarda Republicana, da 4.ª e da 5.ª divisões blindadas de infantaria e da assustadora agência militar de segurança interna; a polícia política. Todos estão proibidos de conversar com jornalistas. E devem reportar a presença da imprensa estrangeira.

Asma e Maher, irmão ressentido de Bashar, são peças importantes na equação do governo e da compreensão das reações na crise, segundo os serviços de inteligência ocidentais citados esta semana na sessão do Comitê de Defesa do Congresso americano pelo deputado Mac Thornberry, republicano do Texas.

O relatório indica que Maher exerce enorme influência sobre o irmão presidente. E Asma é uma espécie de lastro emocional do marido pouco expansivo, cuja carreira de cirurgião oftalmologista foi frustrada pela necessidade de assumir, em 2000, a condição de sucessor do pai, o presidente Hafez Assad. Em 1994, morreu o irmão mais velho, Bassel, que vinha sendo preparado para o cargo.

Na guerra civil, Bashar teria a disposição de negociar uma saída pacífica. Maher, porém, defende a intensificação do combate aos rebeldes. Bashar quis enviar a família para o Abu Dabi. Asma insistiu em ficar com ele e as crianças, na Síria.

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