REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Primeira-dama venezuelana acusa agência dos EUA de cometer sequestro

Cilia Flores - que foi eleita deputada recentemente - comentou pela primeira vez sobre a detenção de seus dois sobrinhos no Haiti por narcotráfico e a transferência deles para Nova York

O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2016 | 13h25

CARACAS - A primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores, disse na terça-feira que tem provas de que a Agência Americana Antidrogas (DEA, na sigla em inglês) cometeu delitos de sequestro relacionados com a detenção de seus parentes acusados e detidos por narcotráfico nos Estados Unidos.

"Nós esperamos ter mais elementos, mas está determinado e comprovado, temos provas disso e podemos dizer: a DEA esteve intrometida aqui em território venezuelano violentando nossa soberania", disse a mulher do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a jornalistas na sede da Assembleia Nacional.

Com estas declarações, Cilia, recém eleita deputada, falou pela primeira vez sobre a detenção de seus dois sobrinhos em 10 de novembro do ano passado no Haiti e a transferência deles para Nova York por agentes da DEA sob acusações de narcotráfico.

Cilia, a quem o chavismo prefere chamar de "primeira combatente", não admitiu nem negou a culpa dos dois jovens que se encontram à espera de julgamento, mas insistiu que "a DEA cometeu delitos de sequestro que, em todo caso, a defesa se encarregará de prová-lo".

"Temos elementos, temos a foto, sabemos quem são os funcionários da DEA que incorreram em crime aqui na Venezuela, neste caso que é de sequestro e vingança", destacou a deputada chavista, que não explicou como esta denúncia se relaciona com as acusação de narcotráfico que pesa sobre seus sobrinhos.

Isso, segundo a esposa de Maduro, faz parte de um ataque da "direita internacional" contra a chamada "revolução bolivariana", que aconteceu justamente quando o país começava a campanha eleitoral para as eleições legislativas.

No entanto, Cilia que é uma dos 55 deputados que o chavismo conseguiu eleger nesses pleitos - um número que os transformou em minoria pela primeira vez em 15 anos -, garantiu que os que tentaram afetá-los "não alcançaram o objetivo".

A primeira-dama não quis responder mais perguntas alegando que estava impedida de oferecer mais detalhes por respeito ao processo que está em desenvolvimento, mas que "a defesa se encarregará de dar mais elementos". "Não queremos perturbar um processo onde nós temos provas do sequestro, da invasão da DEA em território venezuelano e do que foi o motivo que originou todo este caso."

Efraín Antonio Campo Flores, de 29 anos, e Francisco Flores de Freitas, de 30 anos, que se identificaram como sobrinhos do casal presidencial venezuelano, foram transferidos a Nova York após sua detenção e são acusados de conspirar junto com outras pessoas para introduzir pelo menos cinco quilos de droga no país através de Honduras. 

A embaixada dos EUA em Caracas não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre o caso. / EFE e REUTERS

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