Primeira leva de ciganos é expulsa da França

A França começou hoje a expulsar cerca de 700 ciganos para Romênia e Bulgária. Os primeiros quase 100 ciganos que concordaram com o "procedimento de retorno voluntário" seguiram em um voo na tarde desta quinta-feira (horário local) para Bucareste, capital romena. É a primeira expulsão do tipo desde que o presidente Nicolas Sarkozy prometeu, no mês passado, ações contra esses grupos étnicos.

AE-AP, Agência Estado

19 de agosto de 2010 | 14h56

Um membro do partido de Sarkozy chegou a comparar as táticas para expulsar os ciganos às usadas pela França colaboracionista na época do nazismo. Cada cigano adulto recebe 300 euros se aceitar deixar o país, enquanto cada menor fica com 100 euros. Já o Ministério do Interior ressaltou que cada caso foi avaliado individualmente.

O ministro das Relações Exteriores da Romênia, Teodor Baconschi, disse estar preocupado com o risco de "reações xenófobas" e do "populismo", em um contexto de crise econômica. Defensores dos ciganos alegam que é difícil dizer que essas expulsões são feitas com o consentimento deles, pois, caso se recusassem a deixar o país, os ciganos deveriam ir para um centro de permanência e poderiam acabar expulsos sem receber dinheiro algum. O ministro de Interior francês, Brice Hortefeux, receberá na semana que vem vários altos funcionários romenos para discutir o tema.

Cerca de 10 mil ciganos da Romênia e da Bulgária foram devolvidos a seus países no ano passado. A leva atual é, porém, a primeira expulsão desde que Sarkozy anunciou, em julho, uma investida contra os estrangeiros. A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, afirmou que a França precisa cumprir as regras de liberdade de movimento dentro do bloco. Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que o órgão acompanha o caso "muito atentamente".

Sarkozy enfrenta baixos índices de popularidade e a medida é vista como também uma forma de obter apoio da população francesa, já de olho nas eleições presidenciais de 2012. Também membros da UE, a Romênia e a Bulgária não compartilham de todas as prerrogativas do direito de livre circulação pelo bloco europeu. Os cidadãos desses países podem permanecer na França por três meses e trabalhar apenas em setores específicos, em que há escassez de mão-de-obra.

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