REUTERS/Hannah McKay
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Primeira-ministra britânica abre porta para adiamento do Brexit

Theresa May afirmou que fará segunda votação caso acordo para sair da União Europeia seja negado e acrescentou que Reino Unido só deixará o bloco sem acordo caso os deputados britânicos aprovem a medida

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2019 | 11h25

LONDRES - O Reino Unido deixará a União Europeia sem um acordo no dia 29 de março apenas se houver o consentimento explícito do Parlamento, afirmou a primeira-ministra britânica, Theresa May, nesta terça-feira, 26. Caso o atual acordo não seja aprovado, ela vai convocar uma segunda votação para tratar da saída sem acordo.

Na prática, ela deixa nas mãos dos deputados a decisão de adiar a data do Brexit por "um período curto e limitado" se eles rejeitarem o acordo de separação assinado com a UE e se negarem a sair sem nenhum tipo de acordo.

A premiê reiterou que pessoalmente se opõe ao adiamento e explicou que, em qualquer caso, não pode ir além de junho, pois, caso contrário, o Reino Unido terá que participar das eleições para o Parlamento Europeu - agendadas para o final de maio.

Os deputados têm até o dia 12 de março para aprovarem o acordo revisado do Brexit. Se for negado, May convocará outra votação sobre deixar o bloco europeu ou não sem acordo nenhum. Se houver mais uma negatica, o Parlamento votará em 14 de março se deve buscar uma “extensão curta e limitada” para o período de negociação do Artigo 50. "O Reino Unido só sairá sem um acordo em 29 de março se houver consentimento explícito na Câmara dos Comuns para esse resultado”, disse May ao parlamento.

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Mais cedo nesta terça-feira, três ministros britânicos ameaçaram pedir demissão caso May não se comprometesse a prorrogar a data limite para o Brexit para afastar a possibilidade de uma saída sem acordo. Os secretários para Indústria, Richard Harrington, Digital, Margot James, e Energia, Claire Perry, impulsionaram o pedido à May.

"Este compromisso seria recebido com alívio por uma grande maioria de deputados, empresas e seus funcionários", escrevem os ministros, favoráveis à permanência na UE, en um artigo publicado no jornal Daily Mail. O jornal afirma que outros 15 membros do governo estariam dispostos a pedir demissão para impedir o cenário de "no deal".

Outros três ministros pediram durante o fim de semana a prorrogação da data do Brexit caso os deputados não consigam um acordo a tempo.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou na segunda-feira 25 que conversou com May sobre o contexto jurídico de uma possível prorrogação da data do Brexit, previsto para 29 de março. "Penso que, levando em consideração a situação em que estamos, um prazo adicional seria uma solução razoável", declarou Tusk.

Segundo referendo

O Partido Trabalhista, principal opositor ao governo, afirmou que está disposto a apoiar uma emenda que proponha a organização de um segundo referendo sobre a saída da UE para evitar o Brexit "destruidor" dos conservadores, o que aumenta a pressão sobre May. / AFP e REUTERS

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