REUTERS/Mariana Bazo
REUTERS/Mariana Bazo

Vice-presidente qualifica de 'golpe' novo processo de impeachment contra PPK

Destituição do presidente peruano, acusado de ter sido beneficiado ilegalmente pela Odebrecht, será votada no dia 22

O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 15h58

LIMA - A segunda vice-presidente do Peru, Mercedes Aráoz, que poderá suceder a Pedro Pablo Kuczynski (PPK) caso ele seja destituído pela votação de impeachment a que será submetido no dia 22, declarou nesta sexta-feira, 16, que o novo processo de impedimento presidencial aprovado pelo Congresso tem a intenção de dar "um golpe de Estado parlamentar". Kuczynski é acusado de ter sido beneficiado ilegalmente pela empreiteira brasileira Odebrecht em pelo menos duas oportunidades.

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Assim como o processo de impeachment enfrentado por PPK no fim de dezembro, a nova moção - aprovada por 87 congressistas, o exato número de votos necessários para a destituição - pretende declarar a presidência vaga por "incapacidade moral" do presidente.

"Há uma possibilidade de um golpe de Estado parlamentar. Não é porque queiram derrubar somente o presidente. Querem derrubar o procurador do país, o Tribunal Constitucional, tomar todo o poder", disse Aráoz, que também é legisladora, afirmando que "a capacidade de (PPK) ter o voto de confiança" está sendo limitada. "Querem tomar todo o poder a partir do Parlamento."

A vice-presidente também declarou que "é inaceitável que tenham revelado informação privada" sobre transferências de dinheiro que PPK fez nos últimos anos para seu ex-advogado e atual congressista Gilbert Violeta e a seu motorista pessoal. 

De acordo com um relatório da Unidade de Inteligência Financeira, Kuczynski tranferiu US$ 89.182 a Violeta e mais de US$ 600 mil a seu motorista José Luis Bernaola, entre 2005 e 2016. Essas informações foram fornecidas à comissão parlamentar que investiga os desdobramentos da Operação Lava Jato no Peru. Aráoz qualificou-as como "vieses, más intenções e uso de informação reservada com fins políticos".

Depoimento

PPK recebeu nesta sexta em sua casa integrantes do comitê do Congresso responsável pela investigação da Lava Jato no país, para ser interrogado a respeito de seus vínculos com a Odebrecht.

Quando enfrentou a votação de impeachment em 21 de dezembro, Kuczynski foi acusado de ter mentido sobre uma consultoria de US$ 782 mil feita à Odebrecht quando ele era ministro da Economia do ex-presidente Alejandro Toledo, entre 2004 e 2006. Antes da revelação do negócio que manteve com a empreiteira brasileira, feita pela comissão parlamentar, PPK negava ter tido qualquer envolvimento com o caso. 

A campanha de Kuczynski pela presidência em 2011 - eleição na qual ele foi derrotado por Ollanta Humala - teria recebido US$ 300 mil da Odebrecht. PPK nega qualquer irregularidade.

"O mais importante é que hoje o presidente colabore. Aqui será respeitado seu direito à defesa", afirmou a congressista opositora Rosa Bartra, presidente da comissão parlamentar, antes de partir para o palácio do governo. O presidente seria questionado sobre as estradas Interoceânica Sul e Norte. A Odebrecht afirma que pagou US$ 20 milhões a Toledo para obter a licitação da obra, o que o ex-presidente nega. PPK era o ministro encarregado das licitações públicas, na época. / EFE e AFP

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