Primeira-ministra tailandesa tenta fugir da sombra do irmão

A recém-eleita primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra, apresentou seu plano de governo nesta terça-feira em um debate parlamentar que será retomado na quarta e que irá indicar se ela será ou não capaz de se livrar da sombra de seu irmão, o ex-premiê Thaksin Shinawatra.

MARTIN PETTY E JUTARAT SKUL, REUTERS

23 de agosto de 2011 | 09h58

O novo governo deve ser duramente questionado a respeito de suas propostas populistas e das ligações com Thaksin, um bilionário ex-magnata das comunicações, que foi deposto por militares em 2006 e hoje vive autoexilado em Dubai, depois de ser condenado por corrupção na Tailândia.

Yingluck, 44 anos, primeira mulher a chefiar o governo tailandês, era quase desconhecida há quatro meses, quando se lançou na política. Ela disse que sua prioridade será estabilizar a economia e aumentar a renda da população com políticas como redução nos impostos para as empresas, perdão das dívidas de agricultores, verbas para o desenvolvimento de aldeias e redução dos preços dos combustíveis.

"Vamos administrar o país com honestidade e eficiência, para levar o país à prosperidade, à reconciliação e à justiça", disse ela ao Parlamento.

O debate dará à primeira-ministra uma chance de se contrapor às críticas de que estaria apenas "ocupando o lugar" do irmão, que transformou a política local ao cortejar os mais pobres, obtendo expressivas vitórias eleitorais em 2001 e 2005, até cair vítima de denúncias de corrupção que ele diz terem sido politicamente motivadas.

Falando na terça-feira em Tóquio, Thaksin prometeu não interferir no governo da irmã. "Sempre que ela precisa de conselhos, ela me liga, eu lhe dou conselhos, e isso é tudo. Ajo como uma enciclopédia (...), ela fica à vontade para abrir e fechar a qualquer momento", afirmou.

Thaksin acrescentou que só pretende voltar à Tailândia quando houver paz entre as facções políticas. "Não quero alimentar mais conflitos. Só quero ser parte de uma solução, não de um problema."

Nos últimos cinco anos, houve inúmeros confrontos, às vezes violentos, entre seus partidários, ditos "camisas vermelhas", e os membros da elite conservadora, a qual inclui a cúpula militar, monarquistas e a classe média urbana.

Cerca de 400 "camisas vermelhas" se aglomeraram diante do Parlamento para apoiar Yingluck, enquanto cerca de cem rivais entregaram uma carta ao presidente da Casa, pedindo a ele que obstrua qualquer emenda constitucional do governo que beneficie a família Shinawatra.

Num gesto fora do comum, o governo pediu à oposição que não cite Thaksin durante os dois dias de debate, alegando que isso seria irrelevante.

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