Primeira testemunha é ouvida no julgamento de Mladic

O pai de Elvedin Pasic foi capturado por soldados sérvios há 20 anos atrás durante a Guerra da Bósnia. Mas ao ser a primeira testemunha no julgamento de Ratko Mladic, o bósnio muçulmano repetidamente foi às lágrimas enquanto relembrava o trauma da separação.

AE, Agência Estado

09 de julho de 2012 | 17h50

Durante o julgamento realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o ex-chefe militar bósnio-sérvio sentou-se impassível, olhando para frente. Ele enfrenta 11 acusações de crimes contra a humanidade, genocídio e crimes de guerra por supostamente planejar as atrocidades que deixaram 100 mil pessoas mortas na guerra da Bósnia, que aconteceu entre 92 e 95.

Ele nega as acusações e pode pegar até prisão perpétua se condenado no julgamento que ainda deve durar anos. A corte da ONU foi estabelecida em 93. No começo havia dúvidas quanto às chances do tribunal em prender os principais suspeitos, mas eventualmente todos os 161 acusados foram detidos, incluindo os cérebros dos massacres, Mladic e seu mentor político, Radovan Karadzic. Os dois ficaram foragidos por mais de uma década até serem capturados.

Pasic disse que sua família fugiu do vilarejo em que viviam, no nordeste da Bósnia, em 92, para escapar dos bombardeios feitos pelas tropas de Mladic. Após serem capturados, seu pai foi levado para uma escola na região, onde já estavam outros 150 homens. Na manhã seguinte, as mulheres e crianças foram levados para outro lugar, enquanto os homens ficaram.

"Excelências, depois de ter estado lá aquela noite, não tenho dúvida que todos foram assassinados", disse Pasic aos três juízes. As informações são da Associated Press.

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