Primeiro ato de oposição a Chávez tem baixa participação

Centenas de opositores manifestaram-se nesta terça-feira no centro de Caracas contra o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. A baixa participação não impediu os líderes da oposição de entrarem em choque com chavistas, que defendiam a instauração do "socialismo do século 21", proposta por Chávez. Este foi o primeiro protesto da oposição desde as eleições de 3 de dezembro, quando Chávez foi reeleito por ampla maioria.Pouco depois do início do protesto, o líder opositor Alfonso Marquina pediu por meio da imprensa o comparecimento dos antichavistas. "Não fiquem em casa, frustrados, decepcionados, atemorizados", exortou. Após a manifestação, convocada para coincidir com o 49º aniversário da queda do último regime militar, de Marcos Pérez Jiménez, os opositores entregaram um manifesto ao Parlamento pedindo que o projeto de Chávez não reduza as liberdades civis e a inclusão da oposição nas discussões da reforma."Deve-se protestar hoje mais do que nunca, quando se fala de uma reforma constitucional que pode lesar os valores democráticos e de uma Lei Habilitante (que dará poderes legislativos especiais para Chávez) que é o maior exercício totalitário que se pode lembrar na história republicana da Venezuela", disse Marquina.Lei HabilitanteA Assembléia Nacional (Congresso unicameral do país) prorrogou até a próxima terça-feira a discussão sobre a Lei Habilitante. Segundo a presidente da Assembléia, Cilia Flores, a comissão encarregada de elaborar o relatório ainda deverá incorporar as sugestões das diversas comissões parlamentares, assim como as consultas com o governo. Espera-se durante o segundo debate a aprovação final do texto da Lei Habilitante, que dará poderes a Chávez para aprovar em um ano e meio um conjunto de leis que permitirá levar o país a um modelo socialista. Apesar de Chávez não ter dito quantos artigos terá a Lei Habilitante, funcionários calculam que poderá ter entre 40 e 60 decretos.O octogenário ex-comunista Luis Miquilena, mentor político de Chávez e presidente da Assembléia que redigiu em 1999 a atual Constituição Bolivariana, rompeu nesta terça-feira um prolongado silêncio e acusou o presidente de liderar um governo "ditatorial". Chávez busca "centralizar o poder em todos os sentidos e exercer um poder autoritário de maior vigor e força", disse Miquilena, que assessorou Chávez durante quase uma década.

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