Primeiro carregamento de armas químicas deixa a Síria

Rebeldes estão cada vez mais divididos e lutam entre si; confrontos entre rivais islâmicos matam 274 pessoas em 4 dias

07 de janeiro de 2014 | 21h07

A chefe da missão da Organização para Proibição de Armas Químicas (Opaq), a holandesa Sigrid Kaag, disse que o primeiro carregamento do arsenal químico da Síria deixou nesta quarta-feira, 7, o porto de Latakia em direção à Itália, onde será carregado em um navio da Marinha dos EUA e levado para águas internacionais para destruição em um tanque especialmente criado a bordo.

O anúncio é um passo crucial na operação internacional para desmantelar o arsenal de Bashar Assad este ano. A primeira tentativa de retirar as armas foi abortada depois que autoridades sírias deixaram de entregar os agentes tóxicos no ponto de coleta em Latakia.

A Síria concordou em abrir mão de suas armas químicas após um acordo mediado pela Rússia e depois de um ataque com gás letal que matou mais de 1,4 mil pessoas em agosto de 2013, nos subúrbios de Damasco. O Ocidente culpou as forças do governo sírio, mas Assad acusou os rebeldes pela ação.

Enquanto a Opaq tenta desmantelar o arsenal de Assad, a guerra civil na Síria, que já dura quase três anos, se intensifica, desta vez com pesados combates entre os rebeldes, que se dividiram em duas facções: os jihadistas ligados à Al-Qaeda e grupos islâmicos anti-Assad.

Nos últimos quatro dias, pelo menos 274 pessoas morreram em choques entre o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês), grupo com vínculos com a Al-Qaeda, e rebeldes de outras facções que lutam contra Assad. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, organização de oposição com sede em Londres, as províncias mais afetadas foram Idlib, Raqqa, Alepo e Hama.

Entre os mortos, há 46 civis, 129 insurgentes islâmicos e 99 jihadistas – até bem pouco tempo, ambos os lados lutavam contra Assad. O líder da Frente Al-Nusra, Abu Mohamed al-Yulani, propôs ontem um plano para acabar com os confrontos, que inclui um cessar-fogo e a troca de prisioneiros.

O porta-voz do Exército Sírio Livre Sírio (ESL), o coronel Qasem Saadedin, afirmou que os confrontos recentes fazem parte de uma ofensiva de sua organização e da Frente Islâmica – a maior aliança de grupos rebeldes islamistas – contra o ISIL, que teria “ultrapassado todos os limites”.

Saadedin acusou os jihadistas de terem sequestrado e matado sírios e explicou que a operação não é contra a Al-Nusra, também leal à Al-Qaeda, que, para ele, até agora, não cometeu violações contra o povo. Ontem, de acordo com o OSDH, combatentes jihadistas do ISIL e da Al-Nusra tomaram de milicianos curdos o controle de regiões de Tal Barak e de Tall Hamis, no norte da Síria.

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